Projeto prevê 12 mil vagas em cursinhos gratuitos

As universidades públicas de São Paulo estão pedindo dinheiro ao Estado para criar 12 mil vagas em cursinhos pré-vestibulares gratuitos para estudantes carentes. Segundo o projeto, os professores dos vestibulandos seriam alunos das universidades e as aulas se realizariam nessas instituições. A seleção caberia a assistentes sociais, levando em conta a situação econômica dos inscritos. A proposta foi entregue nesta quinta-feira à Assembléia Legislativa para que entre na votação do orçamento de 2003. A verba requerida é de R$ 14 milhões. "Seria usada no pagamento de um salário mínimo para os professores, universitários também carentes, e para compra ou elaboração de materiais didáticos", explica o pró-reitor de extensão da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Benedito Barraviera. Segundo ele, a iniciativa foi da Unesp, que levou a proposta para Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Inicialmente, o projeto propõe 10 mil vagas para cursinhos na Unesp, que tem unidades em 16 cidades do interior do Estado, e o restante dividido entre as demais instituições. "Se a verba for aprovada, podemos rediscutir o texto. Acho que a USP deveria ter vagas equivalentes a pelo menos 10% dos inscritos no seu vestibular", diz o pró-reitor de cultura e extensão da USP, Adilson de Abreu. A Fuvest recebeu este ano 159 mil inscrições. Ampliação - A intenção do projeto é, além de criar novos cursinhos, ampliar os que já existem nessas instituições e sobrevivem de esforços dos universitários. Na Unifesp, os alunos de graduação começaram no ano passado a dar aulas gratuitas para 50 jovens, entre filhos de funcionários da instituição e estudantes de escolas públicas das redondezas. "Com a aprovação do projeto, ampliaríamos para 225 alunos", diz o coordenador do curso, o estudante de Biomedicina Eloy Rosa, de 21 anos. Os professores são voluntários e, mesmo em uma universidade da área de saúde, há pessoas dispostas a ministrar aulas de todas as disciplinas. É o que ocorre também há sete anos em Franca, interior de São Paulo, onde 40 estudantes da Unesp se dividem em aulas preparatórias para o vestibular pela manhã e à noite. São 180 alunos por ano e o índice de aprovação nos exames das universidades públicas chega a 30%. "Todo ano recebemos cerca de 900 pessoas interessadas e temos de selecionar os que mais precisam", diz a coordenadora do curso, Andrine Bighetti, que está no 3.º ano de Direito. O cursinho usa materiais preparados pelos próprios professores. "Tentamos usar uma apostila que custava R$ 15,00 por mês para os alunos, mas muitos não puderam pagar." A Unesp já tem mais de dez cursinhos espalhados pelas unidades, mas poucos contam com apoio financeiro da reitoria. O atendimento chega a 2 mil alunos carentes. Todos os cursinhos dessas universidades preparam os alunos para os vestibulares de maneira geral e não apenas para os exames das faculdades onde se localizam. "Parabenizo as instituições por essa iniciativa, que considero ideal", diz o diretor da rede Educafro - que reúne dezenas de cursinhos comunitários em São Paulo -, frei David dos Santos. "Além de atender o vestibulando carente, ajuda a manter o universitário pobre no ensino superior ao prever uma contribuição financeira para os professores", afirma. O projeto das universidades inclui ainda um pedido de recursos para outras atividades direcionadas à sociedade, como alfabetização gratuita de jovens e adultos e cursos para idosos. Segundo o presidente da Assembléia, Walter Feldman, que recebeu o projeto ontem, o Estado tem interesse em incentivar esse tipo de atividade. A votação do orçamento ocorre em dezembro.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2002 | 01h35

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