Projeto do MEC obriga federais a ter cotas, diz Tarso

O ministro da Educação, Tarso Genro, afirmou que as universidades federais terão de adotar o sistema de cotas, obrigatoriamente, se o projeto do MEC for aprovado no Congresso. Ele ressalvou que a autonomia das instituições será respeitada, mas não explicou como isso ocorreria, diante da obrigatoriedade."Se a nossa proposta for aprovada, as cotas vão se tornar obrigatórias. A universidade não está isenta do cumprimento das leis. Obviamente, a aplicação vai se dar respeitando sua autonomia", declarou Tarso num seminário sobre educação na Associação Comercial do Rio, na quarta-feira.O projeto, que já está no congresso, prevê a reserva de 50% das vagas para alunos de escolas públicas e, dentro disso, uma parte vai para negros.Adaptação ao alunoPosições contrárias ao projeto, como a manifestada na semana passada pela Faculdade de Medicina da UFRJ, devem ser respeitadas, segundo o ministro. No seu site, a faculdade publicou uma deliberação alegando que a reserva de vagas pode afetar a qualidade do ensino, já que os cotistas enfrentariam dificuldades para permanecer no curso, que exige muitos gastos com livros e alimentação.Tarso disse que a opinião é de um setor da instituição e, provavelmente, não da maioria da população nem da academia. E afirmou que os argumentos são improcedentes."É a universidade que tem de acompanhar e qualificar os alunos, se adaptar à realidade das pessoas que recebe", observou, acrescentando que, no País, só entre 10% e 11% dos estudantes ingressam na universidade. Não resolveCuriosamente, o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, usou o mesmo dado para argumentar contra a reserva de vagas."O sistema de cotas não resolve porque não vai ao centro do nosso problema, que é o seguinte: apenas 9% das pessoas de 18 a 24 anos estão na universidade e 2% deste total está nas públicas. Então, abrir cotas nas federais não arranha o problema, que é mais amplo", disse Teixeira.Para o reitor, a solução para ampliar o acesso ao ensino superior está na melhoria da educação básica e no ensino médio."Elitismo e preconceito"O presidente do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, Ivanir dos Santos, considerou a posição da Faculdade de Medicina "extremamente elitista e preconceituosa"."Nas entrelinhas, estão dizendo que quem entra na faculdade é uma elite econômica. Esquecem que a universidade deve servir à sociedade em seu conjunto e existe uma parcela negra que paga impostos. A sociedade precisa ter mais médicos negros."Dos alunos do pré-vestibular para carentes da ONG Educafro que sonham em cursar Medicina, 98% almejam entrar na UFRJ, segundo o diretor do grupo, frei David Santos."A faculdade está perpetuando o racismo e a discriminação histórica que as universidades sempre tiveram contra negros. Eles vão ter vergonha dessa postura daqui a alguns anos."    cotas nas universidades

Agencia Estado,

19 de agosto de 2004 | 11h23

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