Profissionalização ainda está começando

Paulo Borges, executivo e articulador da São Paulo Fashion Week, completa 27 anos de carreira. Começou a trabalhar na área no final dos anos 70, por acidente e no tempo em que eram raros os cursos de especialização no ramo. Seu projeto era estudar comércio exterior e até começou a universidade, mas a moda o seduziu.Inicou sua carreira como assistente de moda na revista Elle. Atuou em produção de fotos, desfiles e eventos. Fez um pouco de cada coisa e várias delas ao mesmo tempo. Trabalhou com cineastas, estilistas, fotógrafos. A formação profissional foi obtida por um aprendizado intenso na prática, com pouca academia.Há nove anos no comando do mais famoso evento de moda do País, com17 São Paulo Fashion Week no currículo, várias viagens internacionais, agenda de contatos do meio da moda espalhados pelos quatro continentes e livre acesso entre todas as cadeias da indústria têxtil, Borges, não raro, é tratado com pompa.Recorre à ponderação para não ceder ao estrelismo do posto. Meticuloso e metódico, atende todo mundo, mas não deixa de botar tudo no papel. Plugado com um rádio, ele tenta resolver todas as coisas práticas imediatamente.Expoente de uma carreira que hoje chama a atenção de muitos jovens, Borges é sincero a ponto de dizer que contatos são importantes, mas tanto quanto a metodologia e organização para articular todos os pontos, com muita clareza. Apesar do glamour, Borges afirma que há ainda um longo caminho para o ramo. A profissionalização está começando.Estado ? Você é produtor da São Paulo Fashion Week, considerado o maior evento de moda do País. Acha que o mercado de trabalho para produtores mudou muito?Paulo Borges - Com certeza, há muito mais gente trabalhando na área. E o tempo transformou muitas profissões. Eu já nem sou mais somente produtor. Faço direção artística, vendo patrocínio, montagem, converso com jornalistas e entidades. Sou um interlocutor. Esse espaço para produtores têm novas características e está cada vez mais profissional e recebendo mais gente jovem.Estado ? Que características um bom produtor de moda deve ter?Borges - Procedimentos. Conseguir ser organizado e metódico. No meu caso, sou até meticuloso. Ter uma boa agenda. No meio, costumamos dizer que quem tem uma boa agenda é um bom produtor.Estado ? Isso é senso de organização?Borges - Sim. Evento é uma idéia que se transforma. Assim como a foto, o desfile. São atos de transformação.Estado ? O que está acontecendo com os profissionais dos bastidores da moda?Borges - Nossa principal tarefa é entrar no mercado mundial. E isso é trabalho para o resto da vida. No Brasil, temos essa característica, digo o profissional a tem, de dar um jeito e fazer acontecer. As pessoas se ajudam e se misturam muito. Mas, ao mesmo tempo, quanto mais se profissionaliza, mais se atua na área específica.Estado ? Como era no começo e como é agora?Borges - Antes, fazia de tudo. Cuidava da luz, da trilha sonora, do atendimento à imprensa nacional e internacional. Agora as coisas começam a ficar mais claras em vários aspectos. Veja só o caso de contratação de modelos. Há 15 anos, as agências não tinham tabela de cachê, era tudo muito indisciplinado. Cito o caso de modelos, mas isso se estende a tudo.Estado ? Que outras especializações estão surgindo?Borges - A figura do styling é muito importante hoje. É ele quem responde e coordena tudo o que é visual. Outro posto que surgiu é o de coordenador de camarim. Mas muito além das nomenclaturas, o que vem ocorrendo é uma grande especialização das áreas. Veja o caso dos jornalistas. Antes, era muito difícil encontrar assessorias especializadas neste mercado.Estado ? E a formação universitária, é importante?Borges - Informação é sempre bem vinda para uma carreira em moda. Você pode estudar Jornalismo, Artes Plásticas, Línguas e faculdades de Moda. Todo o caminho é válido, desde que esteja disposto a buscar muita informação. Há muitas faculdades de moda surgindo, mas há ainda quem opte por áreas relacionadas, como Jornalismo e Marketing e busque posterior especialização. E isso é muito bom pois vamos fazendo e aprendendo a mudar.Estado ? E o mercado de trabalho está bom para quem está estudando?Borges - Há três anos, por exemplo, as edições da São Paulo Fashion Week recebem 200 alunos de moda para estagiar. Eles são distribuídos em várias áreas, nos desfiles, na assessoria de imprensa, produção, no suporte.Estado ? Boas perspectivas, então, para os novos profissionais?Borges - O negócio moda está começando, apesar do crescimento dos últimos anos. Estamos consolidando muita coisa, preparando a casa. Agora está em curso uma grande mudança no calendário da moda. Esta edição do São Paulo Fashion Week, por exemplo, foi antecipada em 30 dias. Sempre foi nosso objetivo fazer com que o Brasil se ajustasse ao calendário dos principais salões de moda, em termos de calendário. Do que nos cabe, como coordenador do Fashion Week, estamos, mesmo em meio à crise, batalhando por nossas metas.  leia também  Moda forja profissional especializado  

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.