Professores vão às ruas protestar em SP

Docentes dizem que jornada extraclasse não é respeitada; ato reuniu 3,5 mil no Morumbi

Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo,

16 Março 2012 | 21h49

Manifestação dos professores da rede estadual de São Paulo reuniu nesta sexta-feira no Morumbi, zona sul de São Paulo, cerca de 3,5 mil pessoas. Liderados pelo sindicato da categoria (Apeoesp), os docentes reivindicam que o governo cumpra as regras da jornada dos professores imposta pela Lei do Piso – a Secretaria de Educação entende que já respeita a legislação. Foi marcada nova assembleia para o dia 20 de abril, na Avenida Paulista.

 

A partir da semana que vem, as aulas continuam normalmente. Somente no dia 20 do próximo mês, dependendo da conversa entre sindicalistas e governo, pode haver decisão de greve.

 

O ato desta sexta estava marcado para ocorrer na frente do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, mas a direção do movimento, após conversar com a Polícia Militar, mudou a concentração para a Praça Roberto Gomes Pedrosa, diante do Estádio do Morumbi. O local fica a cerca de 1,5 quilômetro do palácio.

Ao longo da tarde, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditou a Avenida Jorge João Saad, desde a Avenida Francisco Morato até a porta do estádio. Segundo a CET, houve morosidade na região.

 

A assembleia faz parte da greve nacional dos professores convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A confederação luta para que as redes estaduais e municipais de ensino cumpram a Lei do Piso – que impõe um salário mínimo de R$ 1.451 para o magistério, além de determinar que os professores tenham um terço da jornada de trabalho destinado para atividades extraclasse.

 

A maior adesão, segundo a CNTE, foi em Mato Grosso do Sul (de 85%) e no Paraná (80%). Em São Paulo, a Apeoesp afirma que ontem mais de 70% dos professores aderiram à paralisação, em diferentes proporções, nas regiões do Estado – a Secretaria de Educação, no entanto, nega o porcentual. Afirma que só 10% dos docentes não foram para as escolas. Entre quarta e quinta, diz que esse valor não passou de 5%.

 

Em São Paulo, a reivindicação está centrada na questão da jornada – porque o Estado já paga acima do piso. Sindicato e governo não se entendem em relação ao número de aulas e horas que representariam 33% da jornada dos professores. “Queremos que o governo respeite a lei, a resolução deles é uma enganação”, afirmou a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha.

 

O sindicato pede que sete aulas sejam reduzidas, no caso da jornada de 40 horas semanais. O Estado afirma que os custos para cumprir isso chegaria a R$ 2 bilhões. A proposta da secretaria tirou uma aula por semana da carga horária. Em uma jornada de 40 horas semanais, o professor dá 32 aulas. Além disso, a pasta oficializou como tempo extraclasse os minutos adicionais que o professor tinha para cada aula dada (10 no diurno e 15 no noturno), uma vez que a duração da hora de trabalho paga é de 60 minutos – 50 são para aula.

 

A questão se arrasta na Justiça. Até agora, a resolução do Estado está valendo, até que se julgue o mérito.

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