ESTADÃO
ESTADÃO

Professores usam crowdfunding para viabilizar projetos em escolas públicas

Plataforma de financiamento coletivo permite a doação de pequenas quantias para tirar do papel ou manter projetos criados por docentes

Felipe Magalhães, Especial para O Estado

09 Dezembro 2015 | 16h10

Com a inspiração de dois jovens professores do Recife e a ajuda de internautas de todo o País, uma plataforma de financiamento vem dando fôlego ao cenário educacional de Pernambuco. Criado em janeiro, o site de crowdfunding Somos Professores permite a doação de pequenas quantias para tirar do papel ou manter projetos criados por docentes da rede pública da capital e do interior do Estado.

A ideia de montar uma plataforma exclusiva para educação partiu dos historiadores Pedro Dantas e Luiz Paulo Ferraz e conta com o apoio de outros dez fundadores. Todos trabalham como voluntários na análise, adequação e divulgação das propostas dos docentes. Dez delas já se tornaram realidade ou conseguiram auxílio da sociedade para se manter. "Queremos encurtar a distância entre quem precisa e quem quer contribuir", diz o vice-presidente da ONG, Luiz Paulo Ferraz, de 27 anos. "As pessoas têm de compreender que os professores são todos aqueles que contribuem para que o ensino e aprendizado aconteçam." 

A professora de português Cintya Jímmini, de 35 anos, aderiu ao financiamento coletivo após a rádio da escola onde leciona ser afetada pelos cortes orçamentários do governo federal. Cintya criou a página Rádio Nossa de Cada Dia, dentro da plataforma de crowdfunding. "Já trabalhávamos com financiamento bem baixo desde 2010. Os equipamentos foram comprados, mas, com o tempo, foram sofrendo desgaste." 

O projeto atingiu a meta em 60 dias, beneficiando 552 estudantes. Foram arrecadados R$ 1.690,34, de acordo com o orçamento apresentado online. "É gratificante. Você consegue observar o amadurecimento do aluno, fazendo uso de uma benfeitoria dada por muita gente", diz Cyntia. "É um sentimento de respeito, de valorização." A professora afirma estar muito feliz com o resultado. "Essas plataformas estão assumindo um papel que a política educacional deveria assumir, de investir mais. São importantes, mas deveriam ser mais um meio, e não o foco principal".

Desenvolvido pelo professor de biologia Osvaldo Nascimento, de 35 anos, o Agente de Saúde Mirim também recebeu ajuda pelo site. Pelo projeto, estudantes visitam bairros do Recife, para alertar sobre os perigos da dengue. Sem verba, o programa teria de ser interrompido em 2016. 

Nascimento decidiu, então, partir para o Somos Professores. Até agora, ele conseguiu arrecadar R$ 490, 25% da meta de R$ 1.993. "Queremos tirar o aluno de sala, para ser um agente transformador dentro da comunidade", afirma. "A tecnologia, desde que bem utilizada e haja treinamento para o professor, é uma ferramenta transformadora da educação."

Felipe Magalhães foi finalista do 10º Prêmio Santander Jovem Jornalista

A fase final e a cerimônia de premiação ocorreram na segunda-feira, 7, na sede do banco, com a participação dos diretores de Conteúdo e Desenvolvimento Editorial do Grupo Estado, Ricardo Gandour e Roberto Gazzi, respectivamente, e de Clau Duarte, Superintendente Executiva de Comunicação Externa do Santander. Os finalistas receberam laptops e garantiram a publicação de suas matérias. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.