Professores, servidores e alunos de universidades federais fazem protesto no Rio

Manifestantes querem melhores condições de trabalho, aumento salarial e plano de carreira

Agência Brasil,

29 Junho 2012 | 09h56

Professores, técnicos administrativos e alunos de universidades federais do Rio de Janeiro, que estão em greve há mais de um mês, realizaram nesta quinta-feira, 28, no centro da capital fluminense uma manifestação em busca de melhores condições de trabalho, aumento salarial e plano de carreira. A passeata contou ainda com a presença de alunos do Colégio Pedro II, que aderiram à paralisação dia 18 deste mês.

A concentração da passeata ocorreu na Candelária e seguiu em direção à sede do Banco Central, situado na Avenida Presidente Vargas, que chegou a ser fechada parcialmente durante a manifestação.

De acordo com um dos coordenadores da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), Pedro Rosa, os docentes tentam negociar há algum tempo com o Ministério da Educação. “Nós da Fasubra fizemos 51 reuniões com o governo. Ele não respondeu a nenhum item, não fez nenhuma contraproposta, seja de reajuste, de carreira e auxilio alimentação. A opção do governo é nenhum gasto com a educação, com o funcionalismo”, disse.

Rosa disse ainda que o governo desmarcou a única reunião que seria realizada dia 19 deste mês, alegando não ter havido tempo hábil para compor a contraproposta. “A única reunião que estava marcada para a semana passada com professores, o governo desmarcou simplesmente sem nenhuma explicação”, disse .

A professora do curso de serviço social da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eblin Farage, 36 anos, acredita que a greve é a única forma de chamar a atenção das autoridades. Ela também ressaltou que grande parte dos alunos aderiu à paralisação.

“O que está em jogo hoje, na verdade, é um projeto de universidade. A forma como o governo trata os docentes, com a estrutura que nós temos de trabalho, é muito difícil realizar no nosso cotidiano uma universidade que privilegia a graduação do ensino, a pesquisa e a extensão. É por isso que a gente reivindica. Enquanto o governo não se dispuser a negociar, a gente não tem outra alternativa a não ser a greve”, disse.

A aluna do 2º período do curso de gestão pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Thaís Lara, de 20 anos, destacou que, mesmo sem aula há mais de um mês, apoia a paralisação, o que segundo ela, é por boa causa.

“Eu estou mais do que apoiando a greve dos professores. Porque essa greve não prevê apenas melhorias para a carreira dos professores. Melhorar a carreira dos professores é melhorar a educação. Ela também prevê pautas para melhorias como um todo. A gente acredita que ainda tem muita verba que tem que ser ainda investida na educação”, disse.

Entre as revindicações dos professores está aumento do piso salarial dos atuais R$ 557,51 para R$ 2.329,35, valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) como salário mínimo para suprir as necessidades previstas na Constituição Federal. Os docentes pedem ainda a incorporação de gratificações, acréscimo de titulação, melhores condições de trabalho e restruturação do plano de carreira nos campi criados com o Reuni.

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) informou que a pauta de reivindicações dos docentes e de outros 50 sindicatos que representam servidores públicos federais estão em análise. De acordo com o Mpog, as propostas de cada sindicato estão sendo analisadas separadamente. A expectativa é que o governo apresente proposta para todas até 31 de julho. O prazo final para responder a todas reivindicações é 31 de agosto, quando o Poder Executivo tem que encaminhar a Lei Orçamentária de 2013 para ser aprovada no Congresso Nacional.

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