Wether Santana/ Estadão
Wether Santana/ Estadão

Professores se dividem sobre retorno ao ensino presencial

Pesquisa mostra que 4 em 10 docentes no Brasil acreditam que as escolas vão ter ensino híbrido no pós-pandemia

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2020 | 05h00

Mesmo após o fim da pandemia do novo coronavírus, quatro em cada 10 professores do País acreditam que as escolas vão manter o ensino híbrido. A percepção veio da terceira fase de pesquisa realizada pelo Instituto Península com docentes da rede pública e particular, que está sendo feita desde o início do ano. 

Segundo o levantamento, 54% acham que as escolas voltarão ao ensino presencial e 44% apostam no híbrido. Outros 2% acreditam em uma educação apenas remota depois da crise provocada pelo coronavírus. 

De acordo com a diretora executiva do Instituto Península, Heloisa Morel, para que o ensino híbrido pudesse ocorrer de maneira eficaz seria preciso investimento em políticas públicas para inclusão digital, novas ferramentas e metodologias. A grande preocupação, para ela, é a desigualdade. 

Enquanto escolas particulares de elite investiram em aprimorar a tecnologia para o ensino durante a pandemia, com aulas online, o resultado não foi o mesmo nas redes públicas. Muitos Estados e municípios até criaram formas de ensino remoto, mas nem todos os alunos têm internet rápida para poder acompanhar. 

“Muitos aqui nem têm TV em casa. A dificuldade é em tudo”, diz Juliana Zavagli, diretora da Escola Estadual Professor João Batista Gasparin, na periferia de São Carlos, interior de São Paulo. Por isso, ela se esforçou para abrir a escola quando o Estado autorizou, em setembro, e começou a dar reforço aos alunos que nada tinham aprendido em casa até então. 

Mesmo assim, apenas cerca de 60 dos 349 alunos de ensino fundamental e médio voltaram. “Fomos atrás deles nas casas, conversamos com os pais, conseguimos transporte para trazê-los para a escola, mas muitos ainda têm muito medo.” 

A escola estadual foi uma das cerca de 1.800 que abriram este ano. Isso representa 36% das 5 mil que existem atualmente no Estado. Entre as municipais da capital, o número foi mais baixo ainda, não chegando a 2% (só 46 escolas e creches abriram, dentre 4 mil) 

Uma delas foi o Centro Municipal de Educação Infantil (CEI) Novo Ipê, na região do Campo Limpo.

Segundo a diretora Sonia Silva, apenas 17 de quase 400 bebês e crianças voltaram para as atividades presenciais. “Vieram só os mais velhos, de 4 anos, que estavam com saudades”, conta a diretora. Mesmo assim, ela avalia a experiência como positiva porque pode treinar para o que deve ocorrer em 2021. “Já aprendemos a lidar com os protocolos, estamos confiantes para abrir ano que vem.”

Além do medo dos pais, a pesquisa do Instituto Península mostrou que mais de 60% dos professores da rede pública não confiam na escola para se adaptar aos requisitos de segurança. Entre as particulares, o índice é de 40%. E 65% do total acham que a escolas devem permanecer fechadas durante a pandemia.

No entanto, o mesmo levantamento mostra que 60% deles acham que seus alunos não evoluíram nesse período. E o mesmo índice também reconhece o impacto negativo principalmente entre os alunos mais pobres das escolas fechadas. 

Fase vermelha

Segundo o secretário de Educação, Rossieli Soares, disse ao Estadão, os professores da rede serão convocados a retornar em 2021. Neste mês, o Estado autorizou que as escolas abram até durante a fase vermelha, a mais restritiva do plano de flexibilização, com 35% dos alunos presencialmente por dia. Isso quer dizer que, mesmo com a piora da pandemia, elas poderiam ter aulas presenciais em fevereiro. Se estiver na amarela seriam 70% e na verde, 100%. As escolas precisam ainda esperar a decisão das prefeituras, que podem ser mais restritivas, como já ocorreu em 2020. 

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