Professores reprovam UFRJ: muitas dificuldades de acesso

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior federal do País, tarefas simples como subir e descer, usar banheiros, assistir às aulas e freqüentar bibliotecas são muito difíceis para pessoas com deficiência física. Estudo feito por duas professoras do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura mostrou que nenhum prédio dos câmpus está inteiramente adaptado aos deficientes.As dificuldades são inúmeras: falta de rampas, portas largas, vagas especiais no estacionamento, pisos especiais e corredores livres. Os obstáculos fazem alunos já matriculados desistirem de estudar e candidatos descartarem a UFRJ.Debruçadas sobre o tema há mais de quatro anos, as professoras Cristiane Rose de Siqueira Duarte e Regina Cohen colecionaram casos durante a pesquisa, com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj). Elas entrevistaram 52 pessoas com deficiência, apenas uma parte dos que trabalham ou estudam lá. Não há dados oficiais sobre o número total.Sem iluminação adequadaSão jovens como um estudante de Economia, que largou a UFRJ pela dificuldade de se locomover, ou outro, da Astronomia, que é deficiente auditivo e não conseguia fazer a leitura labial do professor porque a sala não tinha iluminação suficiente.Há ainda um aluno da Microbiologia que vai concluir a graduação no fim do ano, mas teme não poder cursar o mestrado porque o laboratório fica no terceiro andar do prédio.Regina, que fez graduação e mestrado na UFRJ e prepara tese de doutorado, enfrenta problemas desde que ficou paraplégica, em 1987, por causa de um acidente de carro. Passou a se interessar pelo assunto.MobilizaçõesEm 1999, criou com os colegas o Núcleo Pró-Acesso, que estuda soluções para as barreiras a deficientes. "Tudo é muito demorado para se resolver. Vemos apenas mobilizações pontuais", diz Regina.Um exemplo foi o do estudante do Núcleo de Computação Eletrônica que ficou paraplégico no meio do curso, também após acidente de carro, e conseguiu na Justiça a construção de uma rampa de acesso.O fato de os prédios serem antigos dificulta a adaptação segundo as professoras. "Alguns até seriam facilmente modificados, outros, só construindo de novo", disse Cristiane."O edifício da Educação Física é um dos piores, apesar de o Brasil ser grande medalhista nas Para-Olimpíadas." As pesquisadoras acham que há solução, desde que haja vontade política. "O ensino público tem de ser democrático", diz Cristiane.

Agencia Estado,

03 de setembro de 2003 | 14h28

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