Professores municipais e estaduais do Rio entram em greve na segunda-feira

Anúncio de paralisação surpreendeu secretário de Educação do Rio, Wilson Risolia: 'É intempestivo convocar uma greve agora, faltando um mês para a Copa'

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2014 | 17h41

Atualizada às 22h33

RIO - O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) mantém para segunda-feira a greve das redes municipal e estadual de ensino do Rio e informou que não comparecerá à reunião convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para terça-feira. O encontro foi marcado para tentar intermediar as negociações, mas o Sepe diz que não foi notificado.

Os professores pedem 20% de reajuste e o cumprimento de pontos acordados com as secretarias na greve do ano passado, em que a categoria parou por 70 dias, em um movimento que reacendeu as manifestações de rua, em outubro. Só na rede estadual, os alunos perderam 179 dias de aula, entre 2009 e 2013, por causa das paralisações. O Ministério da Educação (MEC) estabelece que o ano letivo deve ter no mínimo 200 dias.

Uma das coordenadoras do Sepe, Suzana Gutierres diz que a categoria não teme perder o apoio popular conquistado no movimento do ano passado, ao convocar uma greve pouco mais de seis meses após a última paralisação.

"Temos plena consciência e certeza de que nossa greve é legítima. A prefeitura e o Estado vêm recebendo muitas verbas, mas não investe na educação. A população tem apoiado outras greves, outras manifestações, como a dos garis. E um dos grandes clamores é de mais investimento em saúde e educação, não na Copa e na Olimpíada", afirmou Suzana.

Além do reajuste, os professores querem plano de carreira unificado, fim da terceirização de funcionários, eleição direta para diretores, carga de 30 horas semanais para funcionários administrativos - hoje com carga de 40 horas semanais - e limitação da jornada a uma escola.

O secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, disse que ficou surpreso com o anúncio da greve. De acordo com ele, o mês do dissídio é maio e a pasta acabou de encaminhar proposta de reajuste para ser analisado pela Secretaria de Planejamento e Gestão e pela Casa Civil. Risolia lembrou ainda que as aulas da última greve foram repostas, mas os alunos ainda estão tendo aulas aos sábados por causa dos feriados decretados para a Copa. "Acho que é intempestivo convocar a greve agora, a um mês da Copa. Esse é um ano atípico", disse.

Risolia refutou as críticas do Sepe, segundo as quais pontos do acordo firmado no ano passado não foram cumpridos. "Estamos sendo super-rigorosos. Do contrário, estaríamos rompendo um acordo feito com o Supremo", afirmou.

O secretário ressaltou que o aumento de 20% pleiteado pela categoria é "inviável". Disse que foram feitas várias simulações para o reajuste, com índices a partir de 8% - o mesmo dado no ano passado.

Sobre a jornada, para Risolia, a mudança representaria "um risco jurídico", uma vez que outras categorias poderiam começar a reivindicar redução sem diminuição dos salários.

Rede municipal. A Secretaria Municipal de Educação informou que cumpre os acordos firmados no STF. Segundo a prefeitura, o Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) foi enviado à Câmara Municipal e aprovado imediatamente. Em nota, a pasta diz que "(o plano) garantiu um reajuste de 15,3% - implementado em 1.º de outubro. Com o reajuste, o salário inicial dos professores I e II passou a ser de R$ 4.147,37 para 40 horas, sendo o maior salário inicial pago entre as capitais".

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