Professores lucram com vídeos e conteúdo digital para provas

Professores lucram com vídeos e conteúdo digital para provas

No YouTube, docentes apostam em videoaulas, simulados virtuais e até redações que tiraram nota 10; há serviços por assinatura

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2014 | 10h00

SÃO PAULO - Com foco nos principais vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), professores e até ex-vestibulandos têm lucrado com a produção de videoaulas e conteúdos digitais. Gravações no YouTube, simulados virtuais e até redações "nota 10" são comercializados e há oferta de serviços por assinatura.

No início de outubro, o professor de Matemática Gustavo Reis, de Porto Alegre (RS), criou o site Clube do Enem, uma plataforma de conteúdo que reúne resoluções comentadas de exercícios, aulas e questionários de níveis variados de dificuldade. Proprietário de um curso pré-vestibular, Reis apostou no modelo baseado em experiências anteriores com a gravação de suas aulas.

O serviço é gratuito, mas a ideia do professor é que haja "pacotes premium" no próximo ano. "É papel do professor se adaptar para a sala de aula conectada", afirma.

Reis se inspirou em professores que fizeram das videoaulas não apenas uma profissão, mas fundaram empresas. Em 2010, o professor de Física Marco Fisbhen criou o canal Descomplica no YouTube. A página se tornou uma startup com mais de cem funcionários. Hoje, o grupo oferece assinaturas mensais por R$ 25, que dá acesso a vídeos, aulas online e aplicativo para smartphone para montar planos de estudo.

De aluno para aluno. Nos dois anos em que prestou o Enem, a estudante de Medicina Marina Rubini, de 19 anos, conseguiu nota máxima nas redações. Viu nisso a oportunidade de ajudar outros vestibulandos - e ganhar com o trabalho. Marina decidiu vender "pacotes" com redações. São dez textos escritos por ela que custam R$ 29,90.  "Tenho a visão de aluna, passei por isso, então sei qual é a melhor maneira de abordar os temas", explica a estudante de Medicina.

Grupos virtuais de alunos. No Facebook, alunos criaram grupos para resolver questões do Enem e de vestibulares de anos anteriores e para pedir que colegas revisem suas redações. Há comunidades que chegam a ter mais de 60 mil participantes e as postagens são frequentes.

Em rápida busca pelo site, o Estado localizou pelo menos dez grupos com mais de mil membros. Os temas são diversos. Matemática para Enem e Vestibular, criado pelo professor Gustavo Viegas, de 30 anos, de Porto Alegre (RS), ultrapassa a marca de 80 mil participantes. "Começou como um trabalho complementar às aulas presenciais. Muitos alunos tinham dúvidas parecidas, então decidi criar um grupo. Eram cerca de 150 pessoas no começo." 

O Projeto Enem 2014, com 42 mil inscritos, propõe questões gerais sobre o exame, além de servir como espaço para que professores divulguem vídeos e chamem para seus canais de preparação para o vestibular. Além do fórum, os criadores da página também fizeram um blog, que oferece download gratuito de materiais de estudo e textos relacionados às provas. 

Para o estudante mineiro Maximino Rocha Lorena, de 17 anos, as páginas na rede têm ajudado a explorar conteúdos que não foram vistos na escola. Morador de Águas Vermelhas, município com pouco mais de 9 mil habitantes, o jovem prestará o Enem como treineiro. "Minha escola não tem estrutura. Se eu quiser fazer vestibular, vai ser por conta própria." 

Para Lucas de Souza Cruz, de 21 anos, que fica pelo menos duas horas por dia nas redes sociais conversando sobre vestibular, a ferramenta ajudou a democratizar o ensino. "Todo mundo tem acesso, rico ou pobre."

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