Luiz Fernando Toledo/Estadão
Luiz Fernando Toledo/Estadão

Professores em greve protestam contra Alckmin na zona norte

Docentes querem 75,33% de reajuste e melhorias nas condições de trabalho; é a primeira agenda do governador após morte de filho

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 10h32

Atualizado às 12h05

SÃO PAULO - Cerca de 30 professores da rede estadual de São Paulo protestam desde as 10h desta segunda-feira, 13, em agenda do governador Geraldo Alckmin (PSDB), na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. Em greve desde o dia 16 de março, os docentes pleiteiam reajuste salarial de 75,33% e melhorias nas condições de trabalho. Os professores reclamam de falta de diálogo com o governo estadual.

Esta  é a primeira vez em que Alckmin participa de uma agenda pública depois da morte de seu filho mais novo, Thomaz Alckmin, em um acidente de helicóptero.

Em frente ao local onde o governador apresenta a perfuração do primeiro poço de ventilação da futura Linha 6-Laranja do Metrô, os professores gritaram frases como "A greve continua, Alckmin, a culpa é sua" e carregaram cartazes e faixas.

Alckmin afirmou que não há greve de professores efetivos, mas apenas dos temporários. Ele relembrou que a categoria teve reajuste de 45% nos últimos quatro anos ante uma inflação de 24%. "Vamos manter estes ganhos reais. O último aumento foi em agosto. Não completou ainda nem um ano."

Alckmin lembrou ainda que neste ano deverão ser nomeados, até o meio do ano, 38 mil professores, para os ensinos fundamental e médio.

O governador ainda comentou que sua gestão defende que os professores temporários tenham acesso ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual(Iamspe) e que há estudos para redução da chamada "duzentena" - período de 200 dias em que o professor temporário fica sem trabalhar para não configurar vínculo empregatício.

"Estamos tentando reduzir. Não pode acabar porque a lei não permite, porque eles são temporários. Estamos avaliando o mínimo de tempo entre uma contratação e outra", declarou Alckmin.

Duas viaturas da Polícia Militar acompanham o protesto no local.

O senador José Serra (PSDB) participa da agenda, além de deputados estaduais e federais do PSDB. O grito dos professores, que usam megafone, incomoda os parlamentares, que frequentemente olham para o portão e trocam cochichos sobre a movimentação.

Leia a última nota oficial da Secretaria Estadual de Educação sobre a greve:

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo rechaça as inverdades divulgadas pela Apeoesp para tentar promover seu calendário de mobilizações políticas. A Pasta não pode pactuar com o movimento do sindicato que tem incitado os pais a não levarem seus filhos às unidades escolares para inflar a paralisação e usado, em alguns casos, até mesmo de violência.

A entidade sindical, cujas solicitações de negociação sempre são atendidas pela Pasta, na verdade, tem participado desde 2011 dos trabalhos conjuntos com representantes da Secretaria.

Ao contrário do que o sindicato prega enganosamente, a valorização dos professores tem sido foco da gestão. Os docentes garantiram, ao longo de quatro anos, um aumento de 45% em seus salários. O último reajuste se deu há oito meses. Além disso, será pago apenas em 2015 R$ 1 bilhão em bônus por mérito. Nesta semana, a Secretaria anunciou a evolução na carreira de 10,7 mil professores, que terão aumento efetivo de 10,5% em seus salários, pagos a partir deste mês e que representaram um aumento de R$ 52 milhões na folha de pagamento em relação ao mês anterior.

Os dados oficiais, baseados no cadastro funcional e não em estimativas aleatórias do sindicato, apontam que o índice de comparecimento desta semana foi de 91%, o que mostra que a ampla maioria dos docentes está comprometida com as atividades escolares e pedagógicas.

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