Professores elogiam simulado do novo Enem

Eles temem que tempo de prova seja insuficiente

Bruna Tiussu, Especial para O Estado de S. Paulo

30 Julho 2009 | 19h42

Segundo professores e coordenadores de escolas do Ensino Médio e cursinhos pré-vestibular, as 40 questões do simulado do novo Enem, divulgadas hoje pelo Inep, mostram que a prova manterá o estilo das edições anteriores. Mas alguns deles consideraram que o tempo reservado aos candidatos para realizar o exame – eles terão 4 horas em cada um dos dois dias de prova -- pode ser insuficiente.    "Em termos gerais o exame é compatível com o Enem dos outros anos. As questões da área de linguagem e códigos pediam interpretação de texto, traziam quadrinhos, coisas muito semelhantes aos exames passados. E não percebi mais conteúdo sendo pedido, como foi proposto pelo Inep", diz Izeti Fragata, coordenadora de português do Colégio Bandeirantes.   Veja também: Confira o simulado do novo Enem Inep corrige questão do simulado Deciframos o DNA do Enem Inscrições do Enem caem em SP  Entrevista com Reynaldo Fernandes, presidente do Inep e coordenador do Enem   Segundo o diretor pedagógico do ensino médio do Colégio Móbile, Blaidi Sant'Anna, é possível notar que o Enem cobrou um pouco mais de conteúdo, mas tudo dentro do programa do ensino médio. "É necessário a maior cobrança de conteúdo porque a prova terá um caráter diferente das anteriores, servirá como processo seletivo. Mas não é nada que um estudante que foi bem preparado não possa resolver, ele não terá grandes dificuldades." Para Sant'Anna, o novo formato acompanha o anterior, porque o Enem continua trabalhando as habilidades dos alunos. "As questões foram bem formuladas e pedem o mesmo conjunto de competências, como interpretação, leitura e a passagem da leitura da língua portuguesa para a linguagem matemática, por exemplo."   A opinião é compartilhada pelo coordenador pedagógico do Colégio Global, César Betioli. "Não mudou muito e o exame continuará exigindo suas características principais, leitura e interpretação dos enunciados. A prova não tem pegadinhas, o que é muito bom, não confunde o aluno. As questões são bem formuladas, trazem uma contextualização e exige-se raciocínio lógico, o que não é muito comum nos vestibulares, que são mais conteudistas", afirma.   Para Betioli, a única dúvida que o novo modelo de questões deixou é se os candidatos terão tempo suficiente para resolver a prova, que será realizada nos dias 3 e 4 de outubro. "É possível que falte tempo nos dias de prova. Será um exame longo, 180 questões divididas em dois dias, pode ser que cause uma fadiga mental nos alunos. O que aumenta a probabilidade de chute e compromete a seleção", afirma.   O coordenador do simulado Enem do Anglo, Sezar Sasson, também afirmou que o tempo de resolução da prova pode ser um problema. "Pensando individualmente, o aluno terá 3 minutos para cada questão, talvez não seja o suficiente. A prova pode ficar cansativa, se considerarmos que o aluno terá 90 questões de temas diferentes, ou seja, sua mente terá que correr de um assunto para o outro."   A iniciativa do Inep de formular o simulado como modelo do novo Enem foi avaliada como louvável por todos os professores, mas alguns deles sentiram falta de alguns itens. "Não identifiquei questões que envolvessem música. Imagino que o tema será abordado em conjunto com a literatura, mas fico curioso para saber como será", diz Betioli.   Além do gabarito das 40 questões, Sant'Anna sugeriu que o Inep pensasse em alguma forma de simular a pontuação do aluno. "A pontuação do Enem será a partir da Teoria de Resposta ao Item, a TRI, algo muito novo para os alunos. Se houvesse como fazer uma simulação, seria muito útil para os candidatos."

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