Professores e servidores de educação lideram a primeira greve do governo Lula

A primeira greve a ser enfrentada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem nas universidades e escolas os principais líderes. Os servidores federais, mobilizados contra as reformas na Previdência, têm como líderes destacados os sindicatos de professores universitários (Andes), além dos previdenciários (Fenasp), servidores do quadro geral (Condsef) e do Judiciário (Fenajufe).Se vingar, a greve deve ter grande repercussão nas universidades e escolas federais, interrompendo aulas e outras atividades ligadas ao aprendizado. Existem cerca de 300 estabelecimentos de ensino federais, entre universidades, escolas técnicas e outras instituições de ensino fundamental, especial e educação infantil.Governo esperaO governo aposta no fracasso da paralisação. Nesta segunda-feira, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, recebeu líderes do funcionalismo mas ele próprio admitiu que era muito difícil avançar nas negociações. Os sindicalistas se opõem à base da reforma, que é a criação de um regime de previdência complementar para os servidores, com estímulo aos fundos de pensão."Não concordamos com o diagnóstico que o governo fez para justificar a reforma e, portanto, não podemos concordar com o remédio proposto", afirmou o coordenador do Sindicato dos Servidores das Escolas Técnicas (Sinasefe), Manuel Porto Júnior. Segundo ele, esse antagonismo é um dos motivos pelos quais os servidores se negam a negociar emendas no Congresso, como propõe o governo, e preferem iniciar a greve hoje.Peso da categoriaA liderança do movimento reflete o peso dos trabalhadores de educação na estrutura do funcionalismo federal. A categoria mais numerosa é a dos servidores das universidades e escolas federais, com 93.396 pessoas, seguida pela dos professores de escolas e universidades, com 72.235.Há atualmente 606 mil servidores públicos federais em atividade - excluindo militares. A reforma da Previdência mudaria o regime de contribuições e benefícios para os servidores da ativa, que relutam, contando com apoio de 539 mil aposentados e 407 mil pensionistas da União.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.