Professores do Paraná protestam e lembram agressões da PM

Professores do Paraná protestam e lembram agressões da PM

Cerca de dois mil educadores marcaram os quatro meses da ação da PM que deixou 213 feridos em frente à sede do governo estadual

Julio Cesar Lima, O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2015 | 13h37

Cerca de dois mil educadores, segundo a organização, fizeram uma manifestação pela manhã de hoje, em Curitiba (PR), para lembrar os quatro meses da batalha campal em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, quando ficaram feridos 213 manifestantes, a maioria professores, e 21 policiais.

Além disso, a categoria lembrou outras agressões, como a do dia 30 de agosto de 1988, quando o então governador Alvaro Dias (PSDB) mandou a cavalaria da PM dispersar os professores. A caminhada, que foi precedida de uma assembléia, teve início às dez horas, a partir da Praça Santos Andrade e terminou às 12h30.

Segundo o presidente da APP-Sindicato, que representa os professores, a categoria está acompanhando todo o processo envolvendo o governador Beto Richa (PSDB) e o deputado federal Fernando Francischini (Solidariedade), então secretário de Segurança na época das agressões. Ambos estão com seus casos de responsabilidade sob apreciação da Procuradoria Geral da República, por terem foro privilegiado.  “Temos feito um esforço político, inclusive com estudos econômicos que embasem as nossas reivindicações”, explicou o presidente durante a assembleia.

A professora de Artes, Gisele Santos, foi agredida no dia 29 de abril, abriu um Boletim de Ocorrência e deu depoimentos ao Ministério Público, cuja documentação foi entregue à Justiça. “Todos nós fomos agredidos, no momento que buscávamos nossos direitos, essa data deve ser sempre lembrada”, comentou. Para ela, o governador e outras pessoas envolvidas ainda serão punidas pela Justiça. “Mesmo que demore, eu acredito que isso vai acontecer algum dia e todos respondam pelo que fizeram”, avaliou.

Para Claudia Vanessa, a data deverá ser sempre lembrada, para evitar que a categoria não seja desmobilizada. “O atual governo tenta fazer a desconstrução da educação, com pautas que atingem nossos direitos, e como tem maioria na Assembleia Legislativa, consegue fazer com que seus projetos sejam aprovados”, comentou.

Entre esses projetos, Claudia destaca as eleições diretas para diretores, além das reduções salariais e ajustes com os quais haverá perda salarial. “É como quisessem desconstruir tudo”, concluiu. A manifestação foi acompanhada pela Guarda Municipal e não houve registro de tumulto.

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