Professores discutem violência em escolas no Paraná

A violência nas escolas, sobretudo em Londrina e Curitiba, foi um dos assuntos discutidos por professores nesta terça-feira, 10, nas escolas da rede pública estadual do Paraná. A convocação foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Paraná (APP-Sindicato). Na maioria, os alunos deixaram as dependências das escolas cerca de uma hora e meia antes do término dos turnos para que os professores fizessem suas reuniões.Além da violência, a campanha salarial e a Emenda 3, que limita o trabalho do auditor fiscal e foi adicionada à lei que criou a chamada Super-Receita, foram temas das discussões.A violência entrou na pauta a partir de ocorrências que ganharam mais realce em Londrina, no norte do Paraná. "Nós resolvemos socializar os problemas", disse o diretor do sindicato em Londrina, Nelson Antonio da Silva.A APP-Sindicato já programou um seminário específico sobre o tema nos dias 25 e 26 de maio, em Curitiba. "Em razão dos eventos em Londrina, nós nos antecipamos", ressaltou Silva. Em meados de março, um estudante de 20 anos quebrou o braço da diretora da Escola Estadual Ana Molina Garcia, utilizando uma barra de ferro. Segundo testemunhas, ele demonstrava estar drogado e foi expulso da escola.Na semana passada, a diretora da Escola Estadual Carlos Augusto Mungo Jenes foi vítima de um seqüestro relâmpago, que teve entre os autores pelo menos três alunos da escola. Ela estava em seu carro, em frente à escola, quando foi rendida. Eles a obrigaram a dirigir por cerca de uma hora e meia, sob mira de revólver. Reconhecidos, foram presos.Como nesta terça havia outras questões também prioritárias para discutir, sobretudo a reivindicada reposição salarial de 56,94%, a violência volta ao debate no dia 20, em Londrina, em um seminário com participação de representantes da sociedade. "Vamos levar cada questão ao poder público constituído", disse Silva.Em Curitiba, apesar de a questão salarial ser privilegiada, alguns atos de violência começam a preocupar. A diretora da Escola Estadual Nossa Senhora Aparecida, no bairro Xaxim, Olinda Guimarães de Paiva, que leciona desde 1979 e está há 10 anos na direção da escola, disse que nunca tinha presenciado violência no local. Até o início deste ano, quando teve o carro incendiado dentro do pátio do colégio. "O problema são os alunos que se envolvem com droga", lamentou.O adolescente de 16 anos que colocou fogo em seu carro tinha reprovado no ano anterior. "Não negaria matrícula se fôssemos procurado", disse a diretora. Mas o aluno, que já teve problemas policiais em razão de drogas, preferiu manifestar-se com o fogo. Agora, os portões da escola permanecem fechados e uma parede foi levantada para isolar os professores. "Estou com medo", confessou a diretora. O adolescente foi solto na Páscoa, depois de 45 dias de apreensão. Em conversa com os professores, a diretora decidiu que serão convidados especialistas para palestras a alunos e familiares.Patrulha escolarO governo do Estado informou que, para tentar reduzir os problemas de violência, a Polícia Militar e o núcleo de educação instituíram, há três anos, a Patrulha Escolar, com policiais que percorrem as várias escolas para o patrulhamento. Hoje, a patrulha tem equipes em Curitiba, nos 16 municípios da região metropolitana e em 48 municípios do interior. São monitoradas 1.057 escolas (50.4% do total), que congregam 820 mil alunos (65,6% do total).Segundo o governo, os policiais têm reuniões periódicas com a comunidade escolar para propor sugestões de melhoria na segurança e para conversas práticas. Este ano, os policiais começaram a fazer um trabalho de conscientização com as pessoas que estão no entorno das escolas. No ano passado, os policiais atenderam a 23 ocorrências de droga e fizeram 43 apreensões de armas com adolescentes dentro da escola ou nas imediações. Também foram feitas 22 revistas autorizadas pela Justiça em Curitiba e outras 13 na região metropolitana.

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