Professores defendem divisão por religião em escolas britânicas

O plano proposto pelo sindicato indignou os partidários da total separação da religião e o Estado

Efe,

25 de março de 2008 | 15h27

O sindicato britânico de professores defende a divisão por classes das diferentes religiões nas escolas públicas, no lugar de esses centros se limitarem a uma só confissão.   De acordo com o plano do sindicato, o National Union of Teachers, os diretores das escolas poderiam encarregar imames, rabinos e sacerdotes de dividirem a parte do currículo correspondente à religião. Ao mesmo tempo, acabaria o direito atual dos colégios de selecionar os alunos de acordo com sua religião, informa o diário The Guardian.   Segundo o secretário-geral do sindicato, Steve Sinnott, as diferentes comunidades seriam beneficiadas caso pudessem encontrar espaço em qualquer escola para acomodar alunos católicos, anglicanos, metodistas, judeus, muçulmanos etc. Esses centros deveriam pôr à disposição dos alunos das diferentes religiões um espaço destinado a orações e reconhecer as festas religiosas de cada comunidade.   Deveriam ainda mostrar a máxima flexibilidade e permitir, por exemplo, que as alunas usassem o véu e que os estudantes de ambos os sexos exibissem outros símbolos de suas respectivas religiões.   O plano proposto pelo sindicato indignou os partidários da total separação da religião e o Estado. "É um escândalo que um sindicato de professores proponha instrução religiosa nas escolas. Se os pais a querem, deveriam procurar proporcioná-la em casa ou nos locais de oração", criticou Keith Porteous Wood, diretor-executivo da National Secular Society.   Um porta-voz da Igreja Anglicana também criticou o plano ao assinalar que "a instrução religiosa é responsabilidade das igrejas, mesquitas e templos".   O plano não satisfaz também aos representantes das comunidades judaica ou muçulmana, que assinalam que muitos pais vão querer continuar enviando seus filhos a uma escola confessional, seja pública ou privada.

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