Professores decidem entrar em greve

Estudantes fecham rua em protesto e Tropa de Choque da PM intervém

Elida Oliveira , Especial para O Estado de S. Paulo

04 Junho 2009 | 12h32

Reunidos em assembleia no fim da tarde, professores da USP decidiram aderir à greve iniciada pelos funcionários há quase um mês. Cerca de 80 docentes votaram a favor da paralisação, 9 votaram contra e houve 9 abstenções. Segundo a Assessoria de Imprensa da universidade, a USP tem cerca de 5 mil professores em todos os seus câmpus. Com a decisão da assembleia, a expectativa do comando de greve é de uma adesão mais orgânica ao movimento, que até agora só provocou a paralisação de atividades em alguns departamentos. Os professores terão uma reunião às 10h30 de amanhã com a reitora para apresentar suas reivindicações.  Pouco antes de os professores decidirem entrar em greve, cerca de 400 estudantes da USP bloquearam o portão 1 da Cidade Universitária às 16 horas, num protesto contra o curso de graduação a distância recém-criado pela universidade. Depois fecharam o cruzamento das Ruas Alvarenga, uma das principais vias do Butantã, e Afrânio Peixoto. Carros e ônibus ficaram parados. Motoristas desceram para discutir com alunos, enquanto outros apelaram para um buzinaço. Treze homens da Tropa de Choque da PM foram ao local e conseguiram liberar duas faixas da Alvarenga.  Não houve confronto porque os policiais se limitaram a liberar o tráfego e os alunos recuaram. Pelos alto-falantes do carro de som, líderes estudantis convocaram os universitários a voltar para o câmpus para participar da assembleia geral convocada pelo DCE, iniciada às 20 horas. Durante o protesto no acesso à Cidade Universitária, os manifestantes exibiram faixas contra a Univesp, programa da Secretaria de Ensino Superior do Estado que coordena cursos à distância oferecidos pela USP, Unesp e Unicamp. Eles gritaram slogans contra a reitora da USP, Suely Vilela, como "Suely, a culpa é sua, hoje a aula é na rua" e  "Suely, polícia não. A Univesp não é educação".    O dia na Cidade Universitária foi movimentado. No início da tarde, alunos colocaram uma faixa de 18 metros na Torre do Relógio, com os dizeres "Fora PM". "Pusemos a faixa aqui porque é uma ação mais contundente, dá para ver de qualquer parte do câmpus", disse um estudante da FAU que se identificou apenas como Julio.    Faixa de 18 m na Torre do Relógio: aluno defende "ação contundente" (foto: Clayton de Souza/AE)    Pouco antes disso, funcionários tinham decidido manter a greve, numa "assembleia" realizada às 12h30. O número de participantes do evento foi baixo, cerca de 200 pessoas. "Hoje é dia de pagamento", tentou justificar Anibal Cavali, diretor de base do sindicato dos funcionários da USP. "O pessoal pega o dinheiro e sai para pagar contas."   Pela manhã, cerca de 40 estudantes do curso de Artes Cênicas da USP reuniram-se em frente da reitoria, onde fizeram uma manifestação artística contra a presença de PMs e da Guarda Universitária em prédios do câmpus.   Vestidos com roupas escuras, os manifestantes carregavam cópias ampliadas de capas de livros que remetem a repressão, como Pedagogia do Oprimido, Crime e Castigo e Eles Não Usam Black Tie. "Sempre usamos branco em atos pacíficos, mas, com a entrada de policiais militares, escolhemos o preto para simbolizar o luto. Nossas armas são os livros", afirmou uma estudante de Artes Cênicas que não quis se identificar.   O impasse na USP agravou-se no dia 25, quando funcionários e estudantes ocuparam a reitoria e outros prédios. A reitoria recorreu à Justiça, pedindo a reintegração de posse das instalações. A PM permanecerá na Cidade Universitária enquanto manifestantes continuarem tentando impedir o acesso a prédios da universidade. O aviso foi dado pela reitora a um grupo de funcionários, professores e estudantes.   "Protesto-cabeça": estudantes fazem manifestação artística diante da reitoria (foto: Hélvio Romero/AE)

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