Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Professores de escolas particulares de SP entrarão em greve se colégios continuarem abertos

Docentes pedem continuidade de aulas remotas diante da escalada da pandemia; sindicato registrou quatro mortes de professores

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 12h34

Professores de escolas particulares de São Paulo entrarão em greve a partir de quinta-feira, 11, caso as atividades nos colégios não sejam suspensas. A paralisação foi decidida em assembleia realizada no sábado, 6. Consideradas serviços essenciais, escolas tiveram aval para continuar abertas mesmo na fase mais grave da pandemia no Estado de São Paulo. O Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro) já registrou quatro mortes de docentes pela covid-19 após a volta às aulas. 

O sindicato reivindica que professores continuem dando aulas remotas e que o retorno ao trabalho presencial só ocorra após a testagem de toda a comunidade escolar e o fornecimento de máscaras profissionais, do tipo PFF2, que protegem mais contra o coronavírus. O sindicato também pede divulgação imediata dos casos de contaminação nas escolas.

A decisão pela greve ocorre em meio à alta de internações pela covid-19 no Estado de São Paulo. As escolas continuaram abertas, mesmo na fase vermelha da quarentena, a mais restritiva, mas alguns colégios já decidiram suspender ou restringir as atividades presenciais considerando o grave momento da doença em São Paulo.

Segundo o Sinpro-SP, manter exclusivamente as aulas remotas "é uma medida urgente e necessária diante da escalada da pandemia e da aceleração na taxa de contágio". O sindicato deve enviar nesta segunda, 8, uma carta ao sindicato patronal com as reivindicações. Se a negociação não avançar, a greve terá início na quinta, informa o Sinpro-SP. 

"Não estamos nos recusando a trabalhar, mas queremos trabalhar remotamente", diz o professor Luiz Antonio Barbagli, presidente do Sinpro-SP. Segundo ele, há aumento de infecções entre alunos e professores e o sindicato já registrou mortes de quatro docentes pela covid-19 após a volta às aulas - esses óbitos ocorreram em escolas particulares da capital paulista. 

O Estadão confirmou dois óbitos de professores com as próprias escolas onde trabalhavam. No Colégio Palavra Viva, na zona norte de São Paulo, uma professora de Ciências do ensino fundamental 2 morreu no dia 27 de fevereiro, após o retorno presencial à escola. O colégio diz que não é possível afirmar que a contaminação ocorreu na escola e informou que a professora havia dado apenas uma aula presencial. 

No Colégio Emilie de Villeneuve, na zona sul, houve a morte de um professor de ensino religioso de 55 anos, após a volta às aulas. Ele não tinha comorbidades. A mulher do professor também se infectou - segundo a escola, antes do docente. O professor foi internado e morreu no dia 24 de fevereiro. De acordo com o colégio, houve novo caso de professor contaminado no dia 2 de março, sem relação com o primeiro, e turmas tiveram de ser afastadas. 

Para Barbagli, falta testagem nas escolas e os protocolos sanitários variam muito de colégio para colégio. Há unidades, por exemplo, que suspendem aulas após a detecção de um caso de covid-19; outros mantêm as atividades. "Cada escola adotou um padrão, mas temos certeza de que não há testagem e fornecimento de máscaras adequadas para o trabalho dos profissionais."

Como o Estadão mostrou, as escolas particulares de São Paulo se dividem entre restringir atividades ou manter o atendimento presencial como ocorria antes da mudança de fase. Alguns colégios como o Equipe, na região central, decidiram suspender as aulas presenciais neste momento.

Outros, como o Santa Cruz, na zona oeste, reduziram o atendimento presencial e pediram que os pais só levem às crianças à escola em caso de "extrema necessidade". Há ainda escolas que não alteraram o grupo de alunos atendidos - como o Colégio Bandeirantes, na zona sul.

Na semana passada, cresceu a pressão de professores pela manutenção do ensino remoto nas escolas privadas. Docentes do Colégio Oswald de Andrade, na zona oeste, por exemplo, enviaram carta à escola em que dizem trabalhar com pavor. 

Procurado, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro, disse acreditar que a proposta de paralisação dos professores não terá adesão. Segundo ele, há um entendimento de que "deixar a criança fora da escola é pior do que a própria doença".

Ribeiro também destaca que casos nas escolas têm origem em contaminações fora do ambiente escolar. O Sieeesp diz orientar que as escolas só atendam os estudantes que mais precisam. 

O número de infecções em escolas estaduais e particulares parou de ser informado pela Secretaria Estadual da Educação. A pasta havia prometido divulgação semanal desses dados, mas não há atualização dos números desde o dia 16 de fevereiro, quando a Seduc apontou haver 741 casos de covid-19 em colégios da rede pública e particulares.

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