Professores da USP ficam revoltadas com cancelamento de eleição

Votação será feita nesta 4.ª-feira, mas local ainda não foi definido

Carolina Stanisci, Especial para O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2009 | 19h07

"É um absurdo monumental. Ficamos na mão de uma única categoria, a dos funcionários. Eles fecham a porta de um espaço público e cerceiam nosso direito de ir e vir". A frase, da vice-diretora da Faculdade de Comunicação e Artes (ECA) da USP, Maria Dora Genis Mourão, resume a opinião dos professores da universidade sobre o boicote ao 2º turno da eleição para reitor. A eleição seria realizada nesta tarde, mas teve de ser adiada por causa de uma manifestação do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que cercou o prédio da reitoria, onde ocorreria a votação. O Sintusp alegou que o modelo de escolha do reitor é antidemocrático.   Embora diga que todo mundo sabia o que iria acontecer hoje - "um caminhão do sindicato convocou ontem os funcionários para a paralisação, pedindo que ficassem depois na frente da reitoria" -, Maria Dora, um dos 330 eleitores com direito a voto no 2º turno, afirma que conseguiu, pela manhã, entrar no prédio da reitoria para votar. "Cheguei lá às 12h30 e entrei. Já havia gente do sindicato fazendo churrasco no gramado. Eles fazem isso quando querem chamar a atenção", diz.   Quem chegou mais perto do horário da votação, marcada para as 13h30 no prédio da reitoria, não conseguiu entrar. Foi o caso da pró-reitora de pesquisas na USP, Mayana Zatz: "Pedi para me deixarem entrar. Não deixaram. Fico revoltada com isso. Eles querem democracia, mas trancar o acesso a um local de trabalho é contra qualquer espírito democrático".   Segundo o regimento da eleição para reitor da USP, se há cancelamento do pleito a nova convocação deve ser feita obrigatoriamente para 24 horas depois da primeira. Sobre o local onde será realizado o 2º turno da eleição nenhuma das duas tem ideia. Tanto Maria Dora como Mayana dizem acreditar que a convocação será feita em cima da hora - por e-mail, SMS ou até por telefonemas.   A eleição obrigatoriamente tem que ser em um espaço da USP, não necessariamente na Cidade Universitária. "Pode ser na Faculdade de Direito, na Faculdade de Medicina", diz Mayana. "As pessoas têm que ficar atentas", conclui Maria Dora.   Tido como "antidemocrático" e "elitista" pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, o modelo de eleição para reitor da USP também recebeu críticas de Maria Dora e Mayana. "O modelo não é o melhor do mundo. Não faz sentido o governador escolher. A universidade, por ser autônoma, deveria escolher o seu reitor", diz Maria Dora. Mesmo assim, a vice-diretora da ECA não aprovou a atitude do sindicato. "Se não gostam desse modelo, deveriam fazer propostas."   Para Mayana, a representação dos funcionários e professores, no 2º turno da eleição, deveria ser maior, mas não a dos alunos. "Os alunos passam, não têm maturidade para votar."   Maria Dora também não gosta do funil entre o 1º e 2º  turno da eleição para reitor na universidade - de 1.641 votantes  que escolhem a lista tríplice, no 2º turno apenas 330 votam. Mesmo assim, a vice-diretora da ECA é contrária à eleição direta e à maior participação dos alunos no pleito: "Eles passam pela universidade, não ficam."   Os três primeiros colocados no primeiro turno da eleição para a escolha de quem será o reitor da USP - Glaucius Oliva, João Grandino Rodas e Armando Corbani - não foram localizados pela reportagem do Estadão.edu. "Depois do que aconteceu, acho que eles se recolheram", diz Maria Dora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.