Professores da Unifesp rejeitam proposta do governo e mantêm greve

Unifesp junta-se a pelo menos outras 12 universidades que resolveram continuar paralisação

Jacyara Pianes, Especial para o Estadão.edu,

27 Julho 2012 | 13h59

Professores da Unifesp decidiram em assembleia no início da tarde desta sexta-feira, 27, recusar a proposta do governo federal e manter a greve por um novo plano de carreira. Apenas um entre os cerca de 70 docentes que participaram da reunião votou pelo fim da paralisação.

 

Com este resultado, a Unifesp junta-se a pelo menos outras 12 universidades que resolveram continuar a greve. Por enquanto, apenas a Federal de São Carlos decidiu encerrar o movimento, desde que a resolução seja referendada em um plebiscito marcado para a próxima terça-feira, 31.

 

Na assembleia da Unifesp, os professores disseram que agora só vão aceitar negociar as reivindicações com alguém do alto escalão do Ministério da Educação (MEC). Eles pretendem exigir do governo que promova a reestruturação da carreira ainda no mandato da presidente Dilma Rousseff. Pela proposta atual, isso ocorreria entre 2013 e 2015, pegando o primeiro ano de mandato do próximo presidente.

 

"Você faz campanha salarial todo ano, mas o plano de carreira a gente precisa resolver agora", disse a presidente da associação de professores da Unifesp, Virgínia Junqueira.

 

Os docentes pretendem marcar uma reunião com o reitor da universidade para cobrar apoio da Andifes, entidade que reúne os dirigentes das instituições federais de ensino superior. Eles irão pedir ainda a suspensão das aulas que foram dadas por professores antigreve durante a paralisação. A ideia é que todas as classes sejam repostas para que os alunos não tenham "buracos" na grade quando as aulas forem retomadas.

 

Os grevistas também decidiram "radicalizar o movimento", realizando novas passeatas e panfletagem nas ruas, além de promoverem atividades "aprendendo com a greve" para os estudantes da Unifesp.

 

Por fim, os professores disseram que vão acompanhar de perto o programa do governo federal Ciência sem Fronteiras, que tem como meta enviar 101 mil alunos de graduação e pós para uma temporada de estudos no exterior, até 2014.

 

A proposta do governo para tentar acabar com a greve nas instituições federais de ensino dividiu os sindicalistas. Enquanto dois já recusaram a posição do governo, um terceiro aprovou a proposta.

 

Na terça-feira, 24, o Ministério do Planejamento apresentou uma contraproposta de reajuste de 25% a 40%. Há duas semanas, o governo havia oferecido um aumento entre 12% e 40%, em três anos, para a categoria. Para a nova proposta, o governo ampliou a previsão de recursos de R$ 3,92 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

 

Até segunda-feira, 30, professores se reunirão em assembleias para deliberar sobre o fim da greve. Nesta quinta, docentes de pelo menos 13 universidades federais, incluindo a Unifesp, já rejeitaram a proposta apresentada pelo governo e mantiveram a paralisação. São elas as Universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ), de Santa Maria (UFSM), de Pernambuco (UFPE), Rural de Pernambuco (UFRPE), do Espírito Santo (Ufes), de Uberlândia (UFU), de Brasília (UnB), da Paraíba (UFPB), da Bahia (UFBA), de Goiás (UFG), de Pelotas (UFPel) e Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

 

* Atualizada às 16h40

Mais conteúdo sobre:
Unifesp Greve Ensino superior

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.