Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Professores da rede pública protestam contra a volta às aulas presenciais

Educadores entendem que as escolas estaduais não possuem estrutura para seguir protocolos sugeridos pelo governo

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2020 | 13h38

Professores da rede pública estadual de São Paulo realizaram na manhã desta quarta-feira, 29, carreata contra a volta às aulas presenciais, prevista para acontecer no dia 8 de setembro. O ato também pedia pagamento de auxílio emergencial aos educadores.

Para evitar aglomeração, a maioria dos professores permaneceu dentro dos carros durante o trajeto. De acordo com os organizadores, 260 veículos partiram do Estádio do Morumbi e seguiram até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. O ato foi organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

Os carros tinham adesivos ou bandeiras com palavras de ordem como "em defesa da vida" e "salário e auxílio emergencial já". A presidente da Apeoesp e deputada estadual, Professora Bebel (PT), justificou que as escolas não têm estrutura para seguir o protocolo sugerido pelo governo estadual. Para reabertura, todas as regiões do Estado têm de estar na fase amarela por 28 dias.  

"A estrutura das escolas é precária. Muitas vezes, não possuem ventilação adequada e têm salas improvisadas. Existem escolas inteiras precisando de reforma. Tem escola que não conta sequer com uma pia nos banheiros, e muito menos papel higiênico. Como falar em protocolo de segurança?", afirma. "Cobraremos do governo que cumpra o compromisso do secretário da Educação de enviar em regime de urgência à Assembleia Legislativa projeto para criar o auxílio emergencial, assim como o projeto para nova forma de contratação dos professores substitutos na rede estadual de ensino, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da forma atual de contratação (lei complementar 1093/2009)."

Questionado sobre o protesto, o governador João Doria (PSDB), disse que o diálogo sempre existiu com a categoria e afirmou que atos da Apeoesp têm viés político. "A deputada estadual que comanda a Apeoesp tem um viés que ela pratica sempre que possível à frente desta associação. Posso assegurar que a posição emanada aqui não é majoritária no professorado de São Paulo. É parcial. O diálogo sempre existiu, nunca foi limitado o acesso seja ao secretário Rossieli Soares e ao secretário-executivo. Em relação aos temporários, é uma circunstância. Não faz sentido que o dinheiro público seja utilizado para pagar quem não está trabalhando, porque uma pandemia não permite. Quero deixar a manifestação de profundo respeito aos professores e gestores", disse o governador João Doria.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) considerou "eleitoreira" a carreata. "A educação deve ir muito além das motivações eleitoreiras desta carreata, que é norteada por princípios políticos obscuros em meio a mortos por uma pandemia. O buzinaço gerado fere o bom senso diante do barulho nas imediações de um hospital onde médicos e enfermeiros lutam para salvar vidas de doentes. Os mais de 180 mil docentes da categoria estão recebendo regularmente os seus salários durante a pandemia". 

Por fim, informou que o planejamento do governo estadual segue as recomendações sanitárias e que a secretaria está aberta ao diálogo. "A retomada das aulas é pautada em medidas de contenção da epidemia, atendendo aos interesses da população e sem colocar nenhuma vida em risco. Essa decisão foi adotada após diálogo com representantes de professores, funcionários, alunos, pais e administradores de escolas privadas, seguindo as recomendações sanitárias do Centro de Contingência do coronavírus."


 

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