Rafael Arbex / Estadão
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Professores da rede estadual de SP decidem pôr fim à greve

Assembleia no vão livre do Masp reuniu cerca de 8 mil docentes, de acordo com o sindicato que representa a categoria

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

12 Junho 2015 | 16h20

Atualizada às 20h56

SÃO PAULO - Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram nesta sexta-feira, 12, suspender a greve, que chegou a 89 dias - a mais longa da história. A paralisação terminou sem acordo de reajuste com o governo Geraldo Alckmin (PSDB). O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) disse que os docentes devem retomar as atividades na segunda-feira.

Segundo o sindicato, cerca de 8 mil pessoas participaram da assembleia feita no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Já a Polícia Militar estimou que mil pessoas estiveram no local. Na última semana, a votação sobre a continuidade da paralisação já havia sido apertada.

A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, lamentou que a greve teve de ser suspensa sem um acordo com o governo. Para ela, o corte de salário dos dias não trabalhados foi o que mais pesou para que os docentes decidissem por retornar às aulas. “Os professores têm responsabilidade, têm família.” 

Após várias decisões judiciais sobre a legalidade do corte, prevaleceu a posição favorável ao Estado, de fazer o desconto nos salários. “Os professores voltam para a escola cabisbaixos, o governo terá dificuldade em ter apoio da categoria”, disse Maria Izabel.

Ainda segundo a presidente da Apeoesp, na última semana, a adesão de professores à paralisação havia caído para 10%. No auge da greve, em abril, o sindicato apontava adesão de 60%, que acabou reduzida para 30% em maio, após os descontos nos salários. “Foi uma decisão dolorosa encerrar a greve com zero de reajuste. O governo tentou vencer pelo cansaço, mas também não saiu vencedor.”

Proposta. Os professores pediam reajuste de 75,33%, para equiparar o salário ao dos demais profissionais com ensino superior no Estado, nos cálculos do sindicato. O governo Alckmin, que ainda não apresentou nenhuma proposta, disse que só discutirá o aumento salarial em julho, quando o último reajuste completar um ano.

Até este ano, a greve mais longa dos professores estaduais havia ocorrido em 1989, com 80 dias de paralisação. Na época, os docentes voltaram às salas de aula após conseguirem reajuste abaixo do pedido.

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação disse que o movimento grevista foi isolado e que teve “baixa adesão histórica”. Afirmou que, em eventual necessidade, o conteúdo perdido pelos alunos será reposto. A pasta não informou como será feita a reposição das aulas.

Desacordo. Durante a assembleia desta sexta, um grupo de docentes carregava bandeiras com os dizeres “Radicaliza Bebel”, em referência à presidente da Apeoesp. Os manifestantes criticavam o posicionamento do sindicato de suspender a greve e votaram pela continuidade da paralisação. Pressionada pelo grupo, Maria Izabel deixou a assembleia rapidamente e afirmou que tinha receio de ser agredida pelos professores.

Segundo os docentes que defendiam a continuidade da greve, o governo estadual demonstrou “desrespeito” por não negociar o reajuste e anunciar novo modelo de currículo para o ensino médio - com disciplinas optativas, em que os alunos podem escolher o que estudar.

“Foi um tapa na cara dos professores, que não são consultados e não têm direito a opinião sobre sua própria profissão. Manda mais um pacote fechado e temos de aceitar”, disse a professora de História, Nádia Calaça dos Santos. Os docentes afirmaram que voltarão às aulas, mas que continuarão com protestos pelo reajuste.

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