Professores da rede estadual de São Paulo iniciam greve

Categoria pede reajuste salarial imediato de 34,3%, gratificações e eliminação das avaliações excludentes

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

08 Março 2010 | 10h29

Mais de 10 mil professores participaram de assembleia na última sexta-feira que decidiu pela greve   SÃO PAULO - Os professores da rede estadual de ensino entraram em greve nesta segunda-feira, 8, por tempo indeterminado, em cerca de cinco mil estabelecimentos em todo o Estado, segundo informações do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).   Os professores que já paralisaram suas atividades estão visitando as escolas nesta manhã para conversar com a comunidade escolar, entre pais, alunos e professores que ainda não aderiram à paralisação. Está sendo entregue, também, uma carta com explicações sobre a greve.   Segundo a Secretaria Estadual de Educação, até o final da manhã deste segunda-feira, não havia registro de paralisação em nenhuma escola de toda a rede estadual.   Os professores decidiram pela greve em assembleia na última sexta-feira, 5, quando mais de 10 mil professores aprovaram a greve por tempo indeterminado, a partir desta segunda-feira, 8.   As principais reivindicações da categoria são: reajuste salarial imediato de 34,3%; incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados; plano de carreira justo; garantia de emprego; contra as avaliações excludentes (provão dos ACTs/avaliação de mérito); concurso público de caráter classificatório; contra a municipalização do ensino, contra qualquer reforma que prejudique a educação, em todos os níveis.   Abaixo a íntegra da carta da Apeosp.   "Pela dignidade do Magistério e pela qualidade da educação   Senhores pais, prezados alunos,   Você deixaria um estudante de medicina realizar uma cirurgia em seus pais ou filhos em lugar de um médico habilitado e experiente? Supomos que não. Então, por que o governo estadual permite e incentiva que estudantes e pessoas não habilitadas ministrem aulas no lugar de professores habilitados?   Com uma simples prova, o governo decidiu quem pode ou não pode ministrar aulas, desconsiderando aqueles que estudaram quatro ou cinco anos para serem professores. Com isto, não está respeitando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que determina que somente professores habilitados podem ministrar aulas. Muitos estudantes, tecnólogos e bacharéis estão ocupando essas funções.   Mas não é só isso! Todos nós percebemos que a rede estadual de ensino está um caos. As escolas estão desaparelhadas e os professores, desmotivados. O governo do Estado parece ver os professores como adversários e não como profissionais que merecem ser valorizados e bem remunerados. Acumulamos muitas perdas ao longo dos anos, pois não há uma política salarial, mas apenas bônus e gratificações.   Vocês veem a forma desmazelada com que o governo trata as escolas estaduais. No ano passado, foram até distribuídos materiais com erros grosseiros, palavrões e temáticas inadequadas para os nossos Alunos. O governo mente na sua propaganda. Onde estão as escolas com dois professores em sala de aula? Onde estão os laboratórios de informática abertos nos fins de semana com monitores?   Através de provas e avaliações, o governo discrimina professores, não garante cursos de formação no local de trabalho, mantém salas superlotadas e não realiza concursos públicos. Hoje, 100 mil professores (ou 48% do total) são temporários. Não é possível trabalhar bem nestas condições, o que prejudica a qualidade do ensino.   Diante de tanto desrespeito, estamos dando um Basta! Queremos carreira justa, salário digno, condições de trabalho e condições de ensino-aprendizagem para nossos alunos. Por isto, precisamos da compreensão e do apoio de todos, pois, com a nossa luta, a qualidade do ensino vai melhorar.   Estamos em greve por tempo indeterminado, até que o governo negocie conosco o atendimento de nossas reivindicações em busca da melhoria da escola pública.   Diretoria da APEOESP"   (Matéria atualizada às 13h15)

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