Professores da PUC-SP decidem manter greve

Ao lado de alunos e funcionários, eles protestam contra nomeação de Anna Cintra para a reitoria

Estadão.edu,

21 Novembro 2012 | 21h51

Professores da PUC-SP decidiram na noite desta quarta-feira, 21, manter a greve iniciada há uma semana. Ao lado de estudantes e funcionários, parte dos docentes protesta contra a nomeação de Anna Cintra para a reitoria - menos votada pela comunidade acadêmica, ela foi escolhida para o cargo pelo cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, grão-chanceler da universidade. A posse de Anna está prevista para o dia 29.

Nesta noite, o comando de greve organizou um ato público pela "democracia" na PUC-SP. O evento ocorreu no Teatro Tuca. "Não vamos nos esmorecer. A democracia é fruto da nossa organização e da nossa luta", disse, ao fim da manifestação, a vice-presidente da Associação dos Professores da PUC-SP, Maria Beatriz Abramides.

Ao menos sete cursos aderiram à paralisação. Em nota, o diretor da Faculdade de Direito, Marcelo Figueiredo, afirmou que o conselho da faculdade decidiu, por unanimidade, “reconhecer a legitimidade” do movimento grevista. Figueiredo recomendou que os docentes de Direito apliquem todas as avaliações finais para não prejudicar a formatura dos alunos. E garantiu que nenhum professor, funcionário ou aluno sofrerá “prejuízos acadêmicos ou administrativos”.

Líderes do movimento grevista acreditam que d. Odilo não voltará atrás de sua decisão. Eles pressionam para que Anna Cintra não aceite a nomeação. Desde que alunos, professores e funcionários cruzaram os braços, Anna não responde aos pedidos de entrevista da imprensa.

Na consulta feita à comunidade acadêmica em agosto, o atual reitor, Dirceu de Mello, foi o mais votado - embora sua gestão não tenha gozado de aprovação unânime. Os defensores da "democracia" querem que o cardeal apenas homologue o resultado da eleição. Pelo estatuto da PUC-SP, d. Odilo tem a prerrogativa de escolher o reitor a partir de uma lista tríplice. Tradicionalmente, o primeiro da lista era nomeado.

Em nota, a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, diz que os "movimentos de greve são isolados e não representam o interesse de toda a comunidade acadêmica".

"A universidade está no período de realização de vestibular e de avaliações acadêmicas, além da finalização de processos administrativos do ano letivo. Neste momento, eventuais paralisações tendem a prejudicar os alunos e toda comunidade universitária."

No início da semana, a fundação enviou um e-mail a professores e funcionários da PUC-SP pedindo aos que "amam" e "se preocupam" com a universidade para não se pautarem pelas assembleias contra a nomeação de Anna Cintra e para não paralisarem as atividades.

Na carta, a Fundasp afirmou que o movimento grevista não é legítimo, pois "não se cumpriram as exigências legais para deflagrá-lo", e que o motivo que o embasa fere os estatutos da universidade e da fundação.

A instituição lembrou ainda que uma greve nesta época do ano prejudicará alunos e a comunidade acadêmica, seja pela aplicação de avaliações finais ou do vestibular, seja pela "confecção das folhas de pagamentos do décimo terceiro salário".

Procurada pelo Estadão.edu, a Assessoria de Imprensa da fundação não respondeu se os professores e funcionários que optarem por aderir à paralisação serão punidos.

* Atualizada às 23h

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