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Professores da época de lousa e giz voltam às salas de aula para aprenderem a ser digitais

Pós-graduações procuram fazer com que as novidades deixem de ser motivos de receio e sejam utilizadas como importantes suportes pedagógicos

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

31 de março de 2022 | 12h00

O lápis de cor, a cola e a tesoura ainda sobrevivem na lista de materiais da educação infantil e ensino fundamental. Mas já há novos integrantes na relação que fica cada dia mais cara: o tablet, por exemplo, já virou item de série nas escolas privadas. E é só o começo. Com o avanço das tecnologias nas escolas, logo o óculos de realidade virtual vai ter seu lugar cativo na mochila. 

Para os estudantes é uma incorporação óbvia – toda a geração matriculada na educação básica é nativa digital –, mas para professores que nasceram antes dos anos 2000 e estudaram em escolas de lousa e giz, é preciso uma corrida contra o tempo. Primeiro para se familiarizar com o recurso tecnológico, depois para aprender a ensinar com o uso daquela ferramenta. Para essa segunda missão, vale recorrer aos cursos que abordam o uso da tecnologia na educação. 

Na FAEP,  a pós-graduação em Educação e Tecnologia foi estruturada com o objetivo de fazer com que as novidades deixem de ser motivos de receio e sejam utilizadas como importantes suportes pedagógicos. Dentre os temas abordados estão os objetos digitais de aprendizagens, como videoaulas, animações e simuladores. O curso também se debruça sobre o estudo das plataformas e ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), que, apesar de servirem principalmente às atividades a distância, também dão suporte às aulas presenciais.

Os educadores também aprendem a como utilizar pedagogicamente o que muitos consideram o principal inimigo do bom andamento das aulas: o celular. "É um objeto que tanto pode funcionar como ferramenta para produção de materiais multimídia educativos, como apoio na aplicação de metodologias ativas", exemplifica Katia Cristina Marcolino, coordenadora do curso. 

Voltado a educadores das redes pública e privada, o programa desta pós-graduação contempla temas como Tecnologia da Informação e da Comunicação na Educação, Projetos Interdisciplinares, Múltiplas Competências para os Profissionais da Educação, e Cenários e Modalidade da EAD. O curso é a distância, tem 420 horas e duração mínima de 6 meses.

Já na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a especialização em Educação e Tecnologias tem como um dos eixos a melhor compreensão das particularidades da relação entre a Educação e as Tecnologias, seja na forma presencial ou a distância.

"Temos muitas possibilidades de usar a cultura digital para somar ao universo analógico. Os livros digitais, por exemplo, podem ter animações, vídeos e uma interatividade avaliativa", explica Daniel Mill, coordenador da pós-graduação."São ferramentas que permitem estratégias pedagógicas em condições expandidas ao que tínhamos anteriormente."

 Os matriculados no curso – que acontece a distância e tem 400 horas de duração – podem customizar a formação de acordo com os interesses e as necessidades. No total, são oferecidos 70 componentes curriculares para que o estudante monte o itinerário formativo. Dentre as habilitações estão docência na educação a distância, formação de professores na cultura digital, recursos de mídias na educação, jogos e gamificação na Educação, metodologias ativas de aprendizagem, e design instrucional.

Quem escolhe a habilitação "Formação de professores na cultura digital", por exemplo, vai explorar as diversas possibilidades de composição de práticas pedagógicas mediadas por tecnologias digitais, como: curadoria e organização de conteúdos e planejamento de materiais didáticos, feedback/acompanhamento dos estudantes etc.

Mill faz uma ressalva importante. Apesar de ser comum relacionar tecnologia aos aparatos mais modernos, é importante entender o próprio conceito do termo. "Tecnologia vai além da cultura digital e engloba recursos analógicos, como o que está no desenvolvimento de materiais como lápis e canetas, utilizados na escrita. Temos de ter em mente que sempre há um recurso tecnológico no processo de aprendizagem."

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