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Docentes acusam faculdade de demitir por telegrama e não pagar rescisão

Centro Universitário UNIFIEO, da Fundação Instituto de Ensino para Osasco, teria dispensado mais de 40 professores há 3 meses e até esta quarta não fez acerto

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2016 | 18h27

Professores do Centro Universitário UNIFIEO, da Fundação Instituto de Ensino para Osasco, na Grande São Paulo, afirmam que a instituição demitiu em massa docentes há três meses e, até esta quarta-feira, 28, ainda não havia pago as verbas rescisórias. A dispensa foi feita por telegrama (veja abaixo). 

Segundo denúncias relatadas ao Estado, após cobranças dos professores dispensados, a universidade teria recomendado que procurassem a Justiça. O Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro) de Osasco confirma a dispensa de 42 docentes e diz que oferece apoio jurídico para os interessados em acionar a Justiça. Docentes dizem que chega a 49 o número de demitidos e parte deles já entrou na Justiça contra a instituição.

No dia 29 de junho, um telegrama chegou para uma professora que ensinava há mais de 10 anos na UNIFIEO. Ela pede para não ser identificada. Segundo cálculos, a docente tem cerca de R$ 100 mil a receber e entrou  na Justiça contra a universidade. "Sabemos que a situação do País está difícil. Só não acho legal sequer conversarem conosco. Ser mandado embora depois de anos de empresa por um telegrama? E ainda ouvir 'procure seus direitos' quando questionados sobre a data de pagamento da rescisão? Nunca fui tão desrespeitada", diz a docente.

No mesmo dia, o telegrama também chegou para um professor de 60 anos, que não quer ser identificado. Foram quase 30 anos de trabalho. "É uma vida. Quando cobrei da universidade os meus direitos, ouvi simplesmente que eles não iriam pagar. Falaram que nós teríamos de entrar com uma reclamação contra eles para podermos receber o valor da rescisão", afirma. Desde que foi demitido, ele vem procurando emprego. "Sou aposentado e recebo um valor fixo por mês. Embora seja baixo, dá para comprar comida".

Ainda de acordo com relatos, passam por sufoco também os professores e outros funcionários que escaparam da demissão e continuam trabalhando na instituição. "Conheço funcionários que foram despejados de suas casas porque não pagavam aluguel. Trabalho com outras atividades, além da UNIFIEO, para conseguir me sustentar", diz um professor de 51 anos que não quis se identificar e permaneceu na instituição. Ele afirma que está sem receber salário desde julho e que a universidade tem pressionado os atuais docentes a pedir demissão. "Eles reduziram muito as horas/aula dos professores mais antigos e estão contratando novos, que recebem menos. Fazem isso para que a gente peça demissão." 

De acordo com relatos dos três professores, a universidade começou a atrasar salários um ano atrás. O presidente do Sinpro Osasco, Onassis Xavier, afirma ter sido procurado em abril de 2016. "Começaram pagando metade do salário, depois chegou a atrasar por um mês. Foi quando nos procuraram". Xavier diz que os professores demitidos têm direito a processar a instituição por isonomia salarial, pagamento das verbas rescisórias e danos morais. "A UNIFIEO demitiu 42 professores, de todas as áreas, por telegrama, e alega que não tem dinheiro para pagar as verbas rescisórias", afirma. Segundo Xavier, as indenizações custariam milhões para a Fundação, já que a maioria dos professores demitidos eram antigos. 

Procurada, a UNIFIEO não se manifestou.

 

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