Professora vence concurso de uso de tecnologia em sala de aula

Escola em Cachoeiro do Itapemerim integrou alunos por meio do acesso a material didático pela internet

Carolina Stanisci, Estadão.edu

09 Agosto 2010 | 18h22

Adriana Silva de Oliveira não gosta de falar de sua origem humilde. Nascida em uma favela de Niterói (RJ), ela se mudou com a família para o Espírito Santo atrás de melhores condições de vida. Apesar da pobreza, ela não lembra de ouvir queixas dos pais – eles costumavam repetir que ninguém é “coitadinho” e que vence quem estuda.

 

Na quarta-feira da semana passada, a professora da escola estadual Prof. Francisco Coelho Ávila Junior, em Cachoeiro do Itapemerim, provou que as lições foram aprendidas. Ela venceu o prêmio principal da 5ª edição do Educadores Inovadores, da Microsoft. O concurso escolheu cinco projetos de professores brasileiros que se destacaram entre os 1.056 inscritos no País.

 

A ideia de Adriana, no projeto “Escola nas nuvens – Soluções Inovadoras na Educação”, foi usar o conceito de computação nas nuvens na sala de aula, para possibilitar a autonomia e a expressão dos estudantes. A ideia é simples: os alunos, por meio de uma ferramenta do programa Windows Live, armazenam e compartilham material didático, como vídeos e trabalhos em grupo. “Queria que a sala de aula migrasse para qualquer lugar”, diz a professora, que além do reconhecimento recebeu um notebook e a escola onde dá aulas ganhou uma impressora multifuncional.

 

O uso da ferramenta simples, conta Adriana, beneficiou alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do médio. Os mais velhos ficaram com a responsabilidade de ter o acesso às senhas e trabalham no projeto como gerentes, cuidando de postar o que os mais novos produzem. "O legal é que todos são responsáveis e até a atitude deles mudou por causa disso. Eles abraçaram a causa”, conta a professora, que foi auxiliada no projeto pelo técnico do laboratório de informática da escola, Diogo Souza Machado.

 

O incentivo para fazer com que os alunos gravassem e compartilhassem material na rede veio de um problema detectado pelos próprios estudantes: “Os meninos viviam perdendo arquivo no computador da escola, quando a gente reformatava as máquinas. Agora, eles usam qualquer computador: de lan house, da casa de amigos."

 

A educadora e mais oito professores contemplados em outras categorias do prêmio também ganharam uma viagem para a Cidade do Panamá, em 25 de agosto. Lá, eles vão competir com professores da América Latina que também usam a tecnologia em sala de aula. Os vencedores dessa etapa regional vão para a Cidade do Cabo, na África do Sul, em outubro, para uma final entre professores de outros países que também usam TICs (Tecnologia da Informação e Comunicação) na escola.

 

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