Foto: Varkey Foundation
Foto: Varkey Foundation

Professora ganha prêmio de US$ 1 milhão após aprender 35 idiomas para acolher alunos

Global Teazher Prize, espécia de Oscar dos professores, teve um brasileiro entre os finalistas

Isabela Palhares, Enviada especial a Dubai

18 Março 2018 | 13h28

Uma britânica, que dá aula de artes e aprendeu o básico de 35 idiomas para acolher melhor seus alunos que vieram de várias partes do mundo, foi a vencedora do prêmio de melhor professora do mundo. A premiação chamada Teacher Global Prize, foi anunciado neste domingo, 18, em Dubai, de 39 anos, receberá US$ 1 milhão pela conquista.

+++'Cultura de celebridades faz os jovens verem educação como menos importante', diz professor

Espécie de Oscar dos professores, a cerimônia é promovida pela Varkey Foundation, entidade com atuação internacional em educação. A premiação tem o objetivo de incentivar os professores com trabalhos de impacto social. O Brasil teve Diego Lima, diretor de uma escola em São José do Rio Preto, como um dos dez finalistas do prêmio.

Andria dá aula na escola secundária de Alperton, em Brent, um distrito de Londres, conhecido como um dos lugares com maior diversidade étnica do país. A professora conta que seus alunos vem das famílias mais pobres do Reino Unido, muitas morando em casas que são divididas por até cinco famílias e expostas à violência de gangues. Brent tem a terceira maior taxa de homicídios do país. 

"O inglês não é a língua falada na casa dos meus alunos, por isso, eles chegam à escola com uma desvantagem, se sentindo isolados, com medo de sofrerem bullying pelos colegas. Descobri que ao aprender pelo menos dar bom dia, perguntar se estavam bem na língua deles já fazia com que se sentissem mais seguros e acolhidos", conta. 

+++ Professores voltam a protestar contra reforma da Previdência municipal

Andria se aproximou dos estudantes e suas famílias para entender melhor seus costumes, contexto social e limitações financeiras. ""A maioria deles vivem em situações muito desafiadoras. Eles não têm um lugar tranquilo para estudar em casa, cuidam dos irmãos enquanto os pais trabalham. Por isso, qualquer que seja o problema que enfrentam ou o que esteja ausente em suas vidas, a escola deve acolhê-los", diz.

A partir das descobertas, a professora liderou o redesenho do currículo de todas as disciplinas da escola. Com a ajuda da educadora, o colégio passou a ter um coral de música somali e oferecer esportes em que só as meninas participassem, como o cricket, para não ofender as famílias com religiões mais conservadoras.

"A comunidade em que dou aula é lindamente diversa e deve ser uma das mais multiculturais no mundo. Lá são faladas 130 línguas. Nossa escola celebra essa diversidade e forma os alunos para que sejam cidadãos que respeitam uns aos outros", disse Andria em seu discurso. 

ARTES. Professora de arte, ela fez um apelo para que a disciplina seja mais valorizadas nas escolas. "Dar aulas de artes sempre foi o meu sonho. Essa disciplina que está sempre lutando por espaço nos currículos, por financiamento. Precisamos mudar essa situação, porque as artes ajudam a pensar criativamente, ensinam sobre resiliência e perseverança, ajuda o estudante a se conectar com sua identidade. Aqueles que têm acesso a aula de artes, são os que têm melhor desempenho nas outras matérias", disse. 

*A jornalista viajou a convite da Fundação Varkey

Mais conteúdo sobre:
professor música idioma

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.