Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Professor usa neurociência para aluno se concentrar

Escolas levaram para a classe atividades de estímulos cerebrais que, segundo estudos, aumentam a chance de aprendizagem

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 02h02

SÃO PAULO - Antes comum só nos laboratórios de ponta, a neurociência chegou à sala de aula em colégios particulares de São Paulo. A ideia dos professores é propor atividades, como músicas ou jogos de raciocínio, que permitam estímulos cerebrais estratégicos. Se atingem a área certa da mente, dizem estudos, aumenta a chance de aprendizagem. O risco, de acordo com os especialistas, é dar mais importância à neurociência do que à pedagogia.

São nos primeiros anos de vida que as técnicas de estímulo cerebral fazem mais diferença para o aluno. O Colégio Santa Maria, no Jardim Marajoara, na zona sul de São Paulo, é um dos que usam a neurociência no começo do ensino fundamental. A principal aposta do trabalho é o emprego da música para o desenvolvimento da memória, concentração, percepção auditiva e conexão de conhecimentos. Essas competências são essenciais, por exemplo, para que as crianças aprendam a ler e escrever.

Na escola, os alunos do primeiro ano do fundamental têm aulas de música duas vezes por semana - com direito a canções, dança e instrumentos. No início e no fim de outras aulas, os professores também usam recursos musicais. "O primeiro ganho é na capacidade de atenção e de concentração", explica Sueli Gomes, orientadora da série no Santa Maria. Outra vantagem é na leitura. "Esse senso rítmico, de percepção das unidades de som, é muito parecido com o exercício das sílabas, das palavras", afirma.

Além de soltar a voz, Beatriz Ferraro, de 7 anos, usa essas aulas para praticar o tambor, o chocalho e o triângulo. O que parece somente diversão é uma ginástica mental. "A música tem de combinar com o ritmo. E quem está com cada instrumento deve saber a hora certa de tocar", conta a criança, que já participa de apresentações.

Outra atividade comum nessas aulas é o desenho inspirado em uma música. "A abstração ajuda nas entradas cerebrais", garante Sueli. Já a dança, de acordo com a professora, ajuda no convívio entre colegas, o que pode ser um desafio entre os mais novos. "Eles começam a perceber melhor a si mesmos, o espaço e o outro. Ficam mais atentos e respeitosos", diz.

Cérebro alerta. No Colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi, zona sul da capital, a neurociência também guia o trabalho dos professores. A ideia central é trabalhar com metodologias ativas de ensino - que evitem alunos sentados ouvindo o professor durante quase uma hora.

O cuidado é para que as técnicas também cheguem às casas dos alunos. São oferecidas aos pais palestras sobre como ativar a mente, que tratam de temas como controle do sono, alimentação, autonomia e estímulos de aprendizagem.

"Dividimos a aula em tempos. Temos rituais de começo e de finalização de aulas", aponta Katia Chedid, vice-diretora pedagógica da escola. Um desses rituais, por exemplo, é uma brincadeira em que o professor incentiva o aluno a contar ou discutir o que aprendeu no encontro anterior.

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