Professor de Engenharia da Unesp é acusado de racismo

Foram nomeados três professores de outros câmpus da Unesp e um assessor jurídico para estudar o caso

Chico Siqueira, da Agência Estado,

03 de abril de 2009 | 18h55

A diretoria da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), abriu processo administrativo para investigar denúncia de racismo em sala de aula, cometido por um professor contra um aluno angolano. O estudante africano frequenta o segundo ano do curso de engenharia mecânica por meio de intercâmbio entre a universidade e o governo de Angola.

 

O fato ocorreu na quarta-feira, 1º, quando o professor teria destratado o aluno, que chegara atrasado alguns minutos para a aula. Testemunhas relataram que o aluno teve a porta batida na cara pelo professor, que ainda disse em voz alta que o rapaz, chamado de "negão", deveria voltar para seu país de origem. "Esse negão deveria voltar para o país dele", teria dito o professor. Além disso, o professor também teria destratado outro aluno, um brasileiro, branco, que também chegara atrasado com o angolano.

 

A denúncia foi enviada à direção da FEB pelos dois alunos na quinta-feira, e nesta sexta, o diretor da faculdade, Alcides Padilha, nomeou uma comissão para apurar o caso. Padilha não quis divulgar os nomes dos alunos e dos professores alegando sigilo. "Não posso fazer isso para não prejudicar ninguém", disse.

 

De acordo com Padilha, foram nomeados três professores de outros câmpus da Unesp e um assessor jurídico da universidade para compor a comissão que julgará a atitude do professor. "A comissão vai apurar o que aconteceu, ouvir envolvidos e testemunhas e julgar o caso. O professor pode ser absolvido, pode sofrer advertência, ser suspenso ou mesmo até expulso da faculdade", explicou.

 

No entanto, o diretor disse acreditar que haverá acordo entre as partes. "Em 38 anos de faculdade nunca vi um caso em que as partes não chegaram a um acordo. O curso de engenharia é muito duro e os atritos entre professores e alunos são normais. Mas posso garantir que se não houver acordo, vamos dar garantia para que os alunos não sejam perseguidos pelo professor, caso este continue dando aulas para eles", comentou.

 

Padilha disse que em 30 dias, a comissão deverá dar parecer sobre o assunto. Segundo ele, oito estudantes angolanos estudam na faculdade "e todos são alunos educados, maravilhosos", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
bauruunespracismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.