Prisões do RJ passarão a ter salas de leitura

A maneira mais rápida de se cumprir uma pena pode estar nos livros. Esta é a filosofia de um projeto desenvolvido pelas secretarias estaduais de Administração Penitenciária e de Educação, que propõe um dia a menos de prisão para cada três de estudo, seguindo os moldes da remissão de pena pelo trabalho. Além do benefício, ainda em avaliação pela Vara de Execuções Penais, três unidades prisionais do Rio vão ganhar, na segunda-feira, salas de leitura, cada uma com um acervo de mil títulos, de autores nacionais e estrangeiros. A adoção de um modelo de remissão por meio do estudo não é novidade no Rio, que já reduz um dia no cárcere para cada 18 horas de atividade educacional e cultural. Porém, a Secretaria de Administração Penitenciária quer ir além, por considerar que estudo e trabalho merecem o mesmo tipo de incentivo. Dos 23 mil detentos que hoje ocupam as prisões do Estado, cinco mil estão matriculados nas 13 escolas em funcionamento dentro do sistema. "Queremos mudar o modelo atual, pois observamos que 18 horas significam quase seis dias de atividade em sala de aula, o dobro do tempo de trabalho exigido para a redução de um dia de pena. Achamos que o estudo deve ser mais valorizado", explicou o secretário-adjunto de Tratamento Penitenciário, Eduardo Gameleira, lembrando que o modelo de remissão adotado hoje no Rio é alvo de um projeto de lei que está tramitando no Congresso. Ao ressaltar a importância da iniciativa, Gameleira ressaltou que o Estado tem o dever de oferecer saúde e educação também para quem está dentro do sistema prisional. "Não temos prisão perpétua e nem pena de morte. Ou seja, essas pessoas vão voltar para a sociedade. Precisamos dar assistência, resgatar o ser humano", disse, informando que parte dos detentos nunca recebeu uma educação formal. "Um preso que fica dez anos detido pode sair com formação de padeiro, mas, ainda assim, analfabeto. Queremos mudar isso", declarou, acrescentando que a Vara de Execuções Penais está "muito sensível" ao projeto. Enquanto a resposta sobre o projeto não sai, pelo menos uma parte dos detentos do Rio, matriculados ou não, vai conhecer ou relembrar a literatura. Três salas de leitura serão inauguradas, na segunda-feira, nas penitenciárias Talavera Bruce, Bangu II e Bangu V, com a presença dos autores Heloisa Seixas, Antônio Torres e Guilherme Fiúza, que dão nome aos espaços. Desenvolvido desde 2003 pela Instituto Oldemburg em parceria com o Grupo Editorial Record, o projeto Sala de Leitura já foi instalado em cerca de 300 lugares, entre hospitais e escolas, e, agora, chega aos presídios. "Soubemos da iniciativa e fomos propor que ela fosse levada até as prisões", contou Gameleira, acrescentando que as unidades vão funcionar dentro das escolas.

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