Primeiro dia do Enem tem poucos transtornos

MEC promete eliminar candidatos que divulgam fotos na internet; Ciências da Natureza foi considerado mais difícil

26 Outubro 2013 | 18h17

Após o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ao menos 21 candidatos podem ser eliminados por causa da publicação de imagens da prova em redes sociais durante o tempo de realização do exame. A  maioria das imagens foi postada em páginas do Instagram, mostrando a folha de respostas. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), esses candidatos serão desclassificados, sem direito a recurso. Ano passado, 65 candidatos receberam a mesma punição por causa da publicação de imagens na internet.

Autores de pelo menos duas fotos que surgiram nas redes na tarde deste sábado desmentiram que as imagens eram deste ano. O Ministério da Educação (MEC) divulga balanço na tarde deste sábado, que consolidará o número de eliminados.

Na Uerj, três candidatos podem ser eliminados porque deixaram a sala de aplicação antes do prazo mínimo de duas horas após o início, estipulado no edital. Segundo o MEC, o aplicador deve alertar sobre o tempo mínimo da prova e o candidato deve assinar um termo de eliminação, mostrando que tem consciência de que está saindo antes do horário permitido.

O primeiro dia de exame contou com dois blocos de questões: Ciências Humanas, que reúne o conteúdo de história e geografia, e Ciências da Natureza, que traz questões de física, química e biologia. No domingo, dia 27, os participantes farão as provas de Matemática, Linguagens e a redação.

Dificuldade. Várias questões de direitos humanos marcaram essa edição. Houve questões envolvendo escravatura, direito das mulheres no Brasil, racismo e direito dos gays nos Estados Unidos, segregação racial na África do Sul e luta por terras e melhores condições de vida. Temas esperados, como as manifestações no Brasil e a visita do papa, não foram abordados. A prova utilizou charges, música e filmes e, questões que exigiam mais interpretação de texto.

O bloco de Ciências da Natureza foi considerado o mais difícil, segundo a maioria dos estudantes. Após realizar o Enem na Uninove Barra Funda, zona oeste de São Paulo, a operadora de telemarketing Amanda Souza, de 19 anos, disse que a prova foi tranquila e saiu rápido pois não teve paciência para ficar dentro da sala. "Caiu muito conteúdo de Física e isso para mim foi difícil", afirmou. A massoterapeuta Cláudia Costa, de 35 anos, considerou a prova foi muito difícil, com várias questões sobre história e revoluções.

Para Nycollas de Faria, de 16 anos, o primeiro dia de prova não foi difícil. “A parte mais complicada foi a de História, que envolveu questões de filosofia e sociologia”, conta o candidato. Ele disse que dois dos principais temas tratados na prova de Ciências Humanas foram imigração e xenofobia, mas não houve referência ao programa Mais Médicos.

Empecilhos. O trânsito foi um problema recorrente para os candidatos em várias cidades do país. Em São Paulo, o casal Lauro e Valéria Nogueira, com dois filhos candidatos no exame, teve de encarar o trânsito nas imediações de dois locais de prova. “Deixamos nossa filha mais nova, Bárbara, na Vila Mariana e depois viemos para a Unip Paraíso trazer o mais velho, Luiz Flipe”, conta Nogueira de 43 anos.

Os engarrafamentos foram a justificativa para muitos estudantes que perderam o horário de entrada da prova. Thainá Cristina Ramos, de 17 anos, estava a poucos metros da UNIP Paraíso quando os portões se fecharam, às 13 horas.  “Além de sair atrasada, peguei um trânsito horrível”, admitiu a adolescente. Fazendo a prova no mesmo local, Evelyn Lima, de 18 anos, estudante do 3º ano, teve a mesma infelicidade. Ela saiu de Pirituba de ônibus, saiu correndo do ponto até o local de prova, mas não conseguiu entrar. "Saí 12h15 de casa e nunca tinha vindo até aqui. Mas peguei muito trânsito no caminho."

Em Sorocaba, o trânsito congestionado também marcou o início das provas. A estudante Juliana Stocco, de 17 anos, que fazia o exame pela segunda vez, chegou correndo ao prédio da Organização Sorocabana de Ensino (OSE) na região central da cidade. "Estou atrasada, desculpe, peguei muito trânsito", disse, correndo para o portão.  No mesmo local a estudante Mariana Gomes, de 19 anos, afirmou ter receio de que o longo tempo de prova a prejudicasse. “O cansaço é o maior desafio, é muito pesado, e com esse calor fica ainda pior”, disse ela. A estudante se preparou com frutas e uma garrafa de um litro de água. 

Em Recife, Heloise Mendes perdeu o Enem por cinco minutos. Seria sua quarta tentativa. Ela mora no Totó, um bairro da periferia, e foi de carro. Saíram de casa às 11 horas. “Pegamos muito trânsito”, justificou ela. Os três perderam a prova. Heloise não demonstrou angústia e disse que como estava doente, tinha pensado até em não ir.

 

Clima. As altas temperaturas causaram desconforto e foram responsáveis até por atendimentos médicos. Na Uniban da Vila Maria, zona norte de São Paulo, dois participantes passaram mal por causa do calor e ansiedade. Elas não precisaram ser removidas, apenas foram atendidas e voltaram para a sala. Na Unip de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, antes da abertura dos portões, muitos participantes do Enem estavam do outro lado da rua, onde havia sombra. “O calor é bom porque vou sair corado da prova, com cara de saúde”, brincou Michel Gretschischkin, de 17 anos.

A chuva atrapalhou os participantes no Rio Grande do Sul. No Instituto de Educação Flores da Cunha, em Porto Alegre, dez candidatos chegaram depois das 13h e tiveram que ficar de fora. “Um cabo de luz caiu e o trânsito estava trancado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação. Liberaram agora há pouco”, reclamou a cabeleireira Simone Amorim da Silva, de 38. “Me preparei, fiz curso. Esse seria meu segundo Enem. Vou esperar o próximo, não tenho outra alternativa.”

Samuel Cristóvão, de 34, também se prejudicou. Depois de deixar a mulher em um colégio, na zona norte, para fazer a prova, o funcionário público foi até a região central da cidade. “Peguei trânsito e não consegui chegar”, comenta o candidato, que pretende cursar análise de sistemas.

Além do rompimento de um cabo de energia na avenida Protásio Alves, um carro estragado na avenida Ipiranga também trouxe transtorno para quem se dirigia aos locais de prova.

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