Denis Ferreira Netto/AE
Denis Ferreira Netto/AE

Primeiro dia de Enem tem problemas localizados; 1,3 milhão faltou à prova

Aplicação do exame ocorreu ontem sem falhas graves no País, mas em várias cidades houve atrasos, tumulto na porta de escolas, uso indevido de celular e erros na indicação dos locais de prova. Questões tiveram enunciados longos e com temas atuais

Cedê Silva e Carlos Lordelo, do Estadão.edu, e Mariana Mandelli, de O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2011 | 00h48

Após o vazamento da prova em 2009 e o erro de impressão nos cadernos de perguntas e respostas em 2010, a aplicação do Enem transcorreu neste sábado sem problemas graves no País. Mesmo assim, o primeiro dia foi marcado por ocorrências localizadas: uso indevido de celular, tumulto na porta de algumas escolas, indicações erradas de local de prova e falhas na seleção de fiscais.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela condução do Enem, 1,3 milhão de candidatos deixaram de fazer as provas - 25% do total de inscritos. Isso não os impede de participar do exame hoje. Em 2010, 27% dos candidatos faltaram.

O Inep expulsou da prova oito candidatos que usaram celular durante o exame, enviando mensagens para o Twitter. Eles estavam em salas de Arari (MA), Foz do Iguaçu (PR), Gauíba (RS), Itararé (SP), Rio de Janeiro (RJ), Sandaduva (RS), Santarém (PA) e Santo André (SP).

Em São Paulo, candidatos reclamaram do trânsito para chegar a alguns locais de prova, o que levou a atrasos e tumultos. No câmpus da Unip da Avenida Hermano Marchetti, na Lapa (zona oeste) a polícia foi chamada pelos funcionários para conter um grupo de estudantes que tentou arrombar a entrada. O mesmo aconteceu na Unisa, em Santo Amaro (zona sul).

Em outros locais, houve falta de organização dos fiscais de classe. “Dava pra colar se eu quisesse”, disse Ingryd Paiva, de 16 anos, que prestou Enem como treineira.

Atualidades

Professores de cursinho afirmaram que a prova deste sábado, de ciências da natureza e ciências humanas, foi bem elaborada, mas trabalhosa. Temas da atualidade foram o gancho em boa parte das questões.

Uma das questões perguntou sobre a relação das redes sociais com a queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak. Em outra, o exame utilizou dados do Censo 2010 para traçar uma panorama sobre as religiões no País. O papel dos movimentos sociais e ONGs no cenário político também foram cobrados.

A utilização promissora de biocombustíveis, a gripe A (H1N1), a incidência de malária na América Latina e o vírus HPV também foram cobrados. “A prova foi exaustiva”, disse Henrique Assunção, de 17 anos, que disputa uma vaga em Medicina na Unifesp.

A forma de abordar temas atuais foi questionada por professores. “Sob o pretexto de contextualizar, o Enem investe em enunciados longos que não servem para nada”, afirma o professor de biologia do Anglo, Sezar Sasson. “Uma questão, por exemplo, trouxe um longo enunciado sobre soro antiofídico, quando o importante era saber a importância das hemácias.”

Os enunciados longos apareceram também nas questões de física e química. “Foi uma prova equilibrada, misturando textos com perguntas de nível médio e fácil”, afirmou Alessandro Nery, do Objetivo.

SEGURANÇA

Neste ano, o Inep reforçou a segurança das provas. Ao preencher o gabarito, os candidatos devem reescrever uma frase indicada no final do cartão de resposta. A ideia é garantir a autentificação da caligrafia do candidato.

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