Preterido por FHC, Aloísio Teixeira deve tentar novamente reitoria da UFRJ

O economista Aloísio Teixeira, preterido pelo governo federal em1998 para assumir a Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apesar de ter sido o mais votado na consulta feita à comunidade acadêmica e no Colégio Eleitoral da instituição, será novamente candidato ao cargo de reitor, com a saída de Carlos Lessa, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Amigo de Lessa, o professor se lança como nome de consenso para a nova eleição, prevista para maio, e garante ter o apoio de sindicatos e do grupo de Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coope) da UFRJ e futuro presidente da Eletrobrás. ?Sou candidato a reitor. Ofereci meu nome à comunidade para darcontinuidade ao projeto que mal havia sido iniciado por Lessa, e tenho a expectativa de que será possível reconstruir o consenso que se criou em torno do nome dele?, disse Teixeira. Segundo o candidato, a saída de Lessa, cinco meses após assumir a Reitoria, foi ?muito ruim? para a universidade, mas não havia como recusar o convite feito pelo presidente da República. ?Nós passamos quatro anos difíceis e havíamos organizado um consenso muito grande para superar os problemas?, declarou o economista, referindo-se à eleição de Lessa, como 85% dos votos, e à conturbada gestão de José Henrique Vilhena, que foi o escolhido da lista tríplice enviada pela UFRJ ao Ministério da Educação em 1998, o que provocou uma crise na instituição. Na época, alunos e funcionários invadiram e ocuparam a Reitoria por 45 dias, em protesto contra a nomeação de Vilhena.Eleito vice de Lessa no ano passado, o atual reitor interino SérgioFracalanzza declarou que também poderá disputar o comando da UFRJ, caso seu nome seja indicado. Na tentativa de atrair o grupo de Fracalanzza, Teixeira disse que pretende manter toda a equipe de Lessa, inclusive o vice-reitor, caso seja eleito. ?Será uma mera substituição, um compromisso de continuidade, porque é preciso minimizar os efeitos negativos da saída. Já conversei com o Lessa, o Pinguelli e tenho sido procurado por inúmeras pessoas que vêm a minha candidatura como uma solução natural, resultado de um amplo processo de discussão na universidade.? Assim como o ex-reitor, Teixeira, que tem o apoio dos sindicatos, é um crítico da política educacional para o ensino superior do governo Fernando Henrique Cardoso. A data para a eleição que vai decidir quem será o novo reitor da UFRJ deverá ser definida em março, com a formalização da renúncia de Lessa, que oficialmente está licenciado do cargo. Uma lei federal estabeleceque, com a saída do reitor, uma nova eleição deve ser realizada pela universidade no prazo de 60 dias.

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