Presidente do Inep quer mudar divulgação do Enem

Proposta é informar também dados socioeconômicos das instituições avaliadas

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2014 | 17h11

SÃO PAULO - O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), José Francisco Soares, planeja mudar a forma de divulgar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além das notas, já divulgadas anualmente, a ideia de Soares é que indicadores socioeconômicos e de qualidade das escolas e dos professores também façam parte das informações publicadas após o exame. "Existem mais informações sobre as escolas que a sociedade precisa conhecer e temos de colocá-las à disposição das famílias", afirmou ao Estado.

As informações, segundo ele, podem permitir que outros critérios, além das notas, sejam levados em consideração nos rankings, por exemplo. "O ranking é uma maneira de síntese dos dados. É uma coisa que é feita e continuará sendo feita. Mas é possível fazer o ranking com diferentes recortes."

Para ele, a inclusão de novos indicadores pode mostrar o quanto o desempenho de determinadas escolas pode estar ligado ao contexto socioeconômico. "Há escolas que atendem a famílias ricas e são boas, mas também por causa das famílias que elas atendem. Precisamos ter outras escolas que consigam excelência em outros lugares e essas escolas existem. Quer dizer que o critério da excelência, absolutamente necessário, tem de dialogar com o critério da inclusão", afirma. "Não podemos ter duas provas, duas medidas. O Enem é um só para todo mundo. Agora, a dificuldade em uma determinada nota varia de escola para escola. As famílias tem de perceber essa dimensão para tomar as suas decisões", explica. 

A mudança é uma demanda feita pelo próprio presidente e que agora está sendo estudada pelo Inep e pelo Ministério da Educação. Ainda não há confirmação de que ela possa ocorrer ainda no exame deste ano. "Eu não sei se será possível neste ano porque essa é uma pauta que eu passo para o Inep e deixou de ser minha. preciso internacionalizar o calculo dos indicadores, quais serão usados, quais s" para ela se concretizar tem de se tomar várias iniciativas e isso demora tempo. Eu estou no nível da ideia, do debate. Isso vai acontecer, mas não posso dizer que vou conseguir fazer tudo o que precisa ser feito para isso nesses meses até a divulgação lá na frente", afirma Soares. "Ainda está no nível da ideia."

O Inep ainda analisa quais indicadores podem ser usados na divulgação. Além de dados socioeconômicos, outro índice que pode ser usado se refere à qualidade dos docentes das instituições. "A outra coisa que pode ser incorporada é a questão dos docentes, o quão bons, quão qualificados são os docentes, que tipo de exercício, funções os docentes têm. Isso é que estamos no processo de definir qual o indicador. Para definir a escola temos de definir o aluno e também o professor, as condições que ele tem. Isso tudo impacta naturalmente o aprendizado dos alunos nas escolas."

Inscrições. A quatro horas do fim do prazo de inscrições, às 20h de sexta-feira, 9.091.013 estudantes haviam se cadastrado para o Enem. O número já era de quase 2 milhões a mais que no ano passado, que foi de 7,2 milhões. "Superou a nossa previsão, que era de 8,2 milhões", afirmou.

Para combater uma das principais dificuldades do exame, o número de faltosos -  no ano passado, cercad e 2 milhões de estudantes faltaram -, o Inep neste ano está notificando os alunos que se inscreveram para o exame no ano, mas não compareceram. O objetivo é que essas pessoas se comprometam a ir para o exame desta vez. "O curioso é que já recebemos ligações no 0800 de gente que faltou no ano passado, mas agora diz 'Neste ano eu vou'", contou.

Mais conteúdo sobre:
eneminepjosé francisco soares

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.