André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Presidente do Inep, órgão coordenador do Enem, pede demissão

José Francisco Soares alegou motivos pessoais para deixar cargo; instituto informa que substituto será anunciado nos próximos dias

Gustavo Aguiar e Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

01 Março 2016 | 13h52

BRASÍLIA - Depois de dois anos na presidência do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), José Francisco Soares pediu demissão do cargo nesta terça-feira, 1º. No pedido ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ele alegou motivos pessoais para se afastar do instituto.

“Foram dois anos longe da família. Morando sozinho em Brasília. Do Inep para casa, de casa para o Inep. Com o tempo essa situação pessoal foi deixando marcas, principalmente por não acompanhar a vida dos meus familiares. Até que gerou sofrimento”, disse Soares ao Estado na noite desta terça.

Desde o fim de 2015, Soares enfrenta desgaste com os servidores do Inep, após ter apresentado uma proposta de reestruturação do órgão. Para a Associação dos Servidores do Inep (Assinep), a mudança “desestruturava e comprometia” as finalidades do instituto. O Inep afirmou que a reforma preservava todas as suas atribuições institucionais.

“O Inep precisa é de mais investimento, mais cargos de gestão para dar conta das atribuições crescentes, funcionamento do Conselho Consultivo com a participação dos servidores, planejamento estratégico, questões até agora sem resposta”, disse a direção do Assinep, que também cobrou mais diálogo do próximo presidente. 

Entre os nomes cotados para assumir a presidência do instituto, segundo apurou o Estado, estão Alexandre André dos Santos, diretor de Avaliação da Educação Básica, do Inep – que tem o apoio dos servidores – e Reynaldo Fernandes, ex-presidente do órgão. Mercadante disse, em nota, que o nome para substituir o ex-presidente será anunciado nos próximos dias.

Recordes. Soares foi responsável pela maior edição do Enem, de 2014, com mais de 9 milhões de inscritos e 8,7 milhões de participantes confirmados. Foi também na gestão dele que a prova rompeu a sequência de recordes, em 2015, quando o exame passou a custar mais caro e o Inep registrou 10,67% de redução no número de inscritos.

Outra marca importante do professor foi a atualização dos temas do exame, o que garantiu a inclusão do debate sobre a violência contra a mulher na redação de 2015. Além do Enem, o Inep também é responsável por outras avaliações da educação básica e do ensino superior no Brasil, como a Provinha Brasil e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

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