Presidente do CNPq promete contas em dia

O novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Erney Plessmann Camargo, assume o cargo nesta sexta-feira, às 11 horas, em Brasília, prometendo colocar em dia os repasses de verbas do órgão a programas de pesquisa, atrasados desde o segundo semestre do ano passado. Ele anunciou também na quinta-feira, em São Paulo, o estímulo a "programas de balcão" (quando o pesquisador apresenta um projeto e pede financiamento), sem abandonar os projetos induzidos (quando um programa de pesquisa é proposto pelo próprio CNPq). Além disso, Camargo disse que vai reforçar a atuação dos comitês gestores, encarregados de avaliar os projetos de pesquisa antes de o financiamento ser liberado. Um exemplo de atraso no repasse de verbas está ocorrendo com o Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), que reúne 206 grupos de pesquisa em todo o País. Devido ao corte de 45% no orçamento do CNPq, ocorrido no ano passado, o dinheiro não chegou aos pesquisadores. "Agora vamos honrar esse e todos os compromissos assumidos", garantiu Camargo. "E daqui para frente não vamos mais criar, nem anunciar novos programas a não ser que os recursos estejam absolutamente garantidos e o projeto, aprovado pelo Conselho Deliberativo do CNPq." Ele também explicou sua intenção de incentivar os programas de balcão. "Essa sempre foi a característica do CNPq, que de uns tempos para cá quase desapareceu", comentou. A idéia é que os pesquisadores procurem o "balcão", apresentem um projeto e peçam financiamento. Se a proposta for boa, o cientista receberá a verba. O objetivo é disseminar a ciência por todo o País. Quanto aos comitês gestores, Camargo informou que eles são formados por membros da comunidade científica e têm como atribuição avaliar os projetos de pesquisa apresentados à agência para obtenção de financiamento. "Ultimamente, alguns projetos estavam escapando desses comitês", disse. "De agora em diante nenhum será aprovado sem avaliação." Essas medidas vêm se juntar ao aumento do número de bolsas concedidas pelo CNPq, já anunciado pelo ministros da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral. Os programas já existentes serão contemplados com 4.328 novas bolsas. Outras 10.250 serão destinadas a três novos programas: Bolsa Iniciação Científica Júnior, para alunos de ensino médio; Bolsa Prêmio, para 1.040 pesquisadores do CNPq com maior experiência; e Bolsas Pesquisadores Visitantes, para estrangeiros ou brasileiros que participam de pesquisas em instituição distinta da sua. Além disso, há planos de aumentar o valor das bolsas. Camargo, paulistano nascido em 1935, é médico parasitologista, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), da qual foi pró-reitor de Pesquisa entre 1988-1993. Em 1964, cassado pelo regime militar, resolveu partir para os Estados Unidos, onde foi professor-assistente da Universidade de Wisconsin. Atualmente é membro do Conselho Técnico Assessor da Organização Mundial da Saúde, diretor do Instituto Butantã e professor titular da USP.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.