Presidente da Galileo critica decisão do MEC de descredenciar universidades

Alex Porto pediu paciência aos estudantes, mas admitiu que situação financeira é 'delicada'

14 Janeiro 2014 | 17h55

O presidente da Galileo Educacional, Alex Porto, responsável pelas duas universidades descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) no Rio, atacou o governo federal em entrevista na tarde desta terça-feira, 14, e pediu "paciência" aos alunos, que também criticaram a decisão do MEC. Estudantes da Universidade Gama Filho e da UniverCidade na Candelária, centro do Rio, organizam uma manifestação. Um grupo de alunos viajou para Brasília com o objetivo de tentar uma audiência com a presidente Dilma Rousseff e propor uma solução alternativa - eles querem ser transferidos para instituições federais de ensino.

Revoltados com a situação, estudantes tentavam buscar informações no prédio do grupo em que foi realizada a entrevista com dirigentes. Foram impedidos de entrar. "Tenham um pouco de paciência, estamos trabalhando na reversão dessa situação. A decisão do MEC foi ilegal, arbitrária e esdrúxula. Estamos ingressando na Justiça e também com recurso administrativo. Queremos pedir desculpas pelos transtornos. Estamos em um processo de reestruturação nos últimos 12 meses e vamos regularizar a situação. A garantia principal são os ativos imobiliários das instituições", disse o presidente da Galileo aos jornalistas.

Segundo Alex Porto, o grupo tem dívida total de R$ 900 milhões e imóveis avaliados em R$ 1 bilhão. Porto reconheceu que a situação financeira do grupo é "delicada", com mais despesas do que receitas, mas não revelou o montante do déficit financeiro mensal. "O problema de recuperação não se resolve em doze meses. O plano de capitalização está em curso e depende de ajustes, mas temos convicção de que será finalizado", declarou o dirigente.

Os 1,6 mil professores das duas universidades estão sem receber salário pelo menos desde setembro e, agora, com o descredenciamento, potencialmente desempregados. "Roubaram cinco anos da minha vida. Não sei o que vou fazer agora. Trabalhei cinco anos para pagar a faculdade e não vou ter como pagar outra", disse a operadora de telemarketing Fernanda Silva Freitas, de 29 anos, que está no último período de história. "O MEC alega que fechou por causa da má qualidade do ensino, mas o meu curso é um dos mais bem avaliados no Rio."

Caos. As portas de todas as unidades das duas instituições de ensino estão fechadas. O único canal de comunicação dos 9,5 mil alunos com o grupo Galileo, inclusive para pedidos de transferência, é por e-mail: (reitoria@ugf.br). No entanto, apenas 15 funcionários trabalham na chamada "força-tarefa" anunciada pelo grupo para atender os pedidos.

Nas duas universidades, o cenário atual é de caos. Cadáveres em decomposição por falta de formol e notas não lançadas que ameaçam o ano letivo de alunos são apenas alguns dos problemas. Cartazes foram colados por alunos na sede da Gama Filho do centro: "Queremos solução; descredenciamento não"; "Governo e Grupo Galileo contra a Educação"; "Mercadante é um covarde!"

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