Prêmio destaca dez projetos inovadores em educação

Circo adaptado a aluno com deficiência foi um dos vencedores do Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita

Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2012 | 10h24

Encontrar boas práticas em sala de aula, que inspirem os alunos e também sirvam de referência para outros professores pode parecer uma missão um tanto quanto complicada num sistema educacional historicamente defasado, como o brasileiro. A Fundação Victor Civita, no entanto, vem revelando, há 15 anos, que esse não é um desafio impossível.

 

O Prêmio Educador Nota 10, promovido pela entidade, destaca anualmente os dez melhores projetos pedagógicos do País, desenvolvidos em turmas da pré-escola ao fim do ensino fundamental. A ideia é premiar docentes que tenham demonstrado práticas inovadoras ao lidar com os temas abordados em classe.

 

Para avaliar o projeto, uma equipe de especialistas leva em conta o diagnóstico prévio da turma, detalhando o que as crianças já sabiam antes da introdução do assunto de determinada disciplina. O registro do desenvolvimento dos alunos no decorrer do processo e a avaliação do aprendizado também contam.

 

A edição 2011 teve cerca de 3 mil projetos inscritos, que foram analisados durante dois meses e meio. Entre os prêmios, estão R$ 15 mil para cada educador.

 

“Existem muitos bons professores e não se vê o trabalho deles. Temos de mostrar isso para que a categoria também se sinta contemplada”, afirma Angela Dannemann, diretora executiva da Fundação Victor Civita.

 

Para a grande vencedora de 2011 – que, além do dinheiro, ganhou uma pós-graduação –, Fernanda de Paula, professora de educação física, a motivação reside simplesmente em gostar do que faz. “O que me deixa feliz é ver os meus resultados em cada uma das crianças”, conta ela, que levou atividades de circo para as aulas de uma turma que têm alunos com deficiência.

 

O gosto por compartilhar conteúdos é outro segredo dos premiados. “O conhecimento não fica em você – ele tem de ser compartilhado”, afirma o professor de música Roberto Schkolnick, um dos vencedores do prêmio. O professor de matemática Edson Thó Rodrigues, de João Pessoa (PB), concorda: “Passar conhecimento é mostrar caminhos. De certa forma, a gente está salvando vidas.”

 

Veja abaixo um resumo dos dez projetos premiados:

 

 

Inclusão com circo

 

A professora Fernanda de Paula, de Belo Horizonte (MG), levou as atividades circenses para a aula. Ela trabalhou o aspecto cultural e desafiou os alunos a conhecerem seus limites corporais com atividades que envolveram toda a turma e foram adaptadas para as crianças com deficiência.

 

 

O centenário de Adoniran Barbosa

 

O professor de música Roberto Schkolnick levou às crianças da educação infantil de uma escola particular de São Paulo o universo do pai do samba paulista. Assim, por meio de registros dos sons das músicas, ele ampliou o repertório dos seus alunos.

 

 

Investigando simetrias

 

Com espelhos e caleidoscópios, o professor de matemática Edson Thó Rodrigues, de João Pessoa (PB), ensinou a duas turmas do 9º ano as noções de simetria. Antes, ele realizou um pré-teste com os alunos, para identificar o conhecimento prévio deles sobre o tema.

 

 

O cotidiano da sociedade mineradora

 

Os alunos do 3º ano de uma escola municipal de Catas Altas (MG) aprenderam, com Elaine de Paula, a história local – e do Brasil do século 18 – por meio do estudo de objetos antigos. Eles entrevistaram familiares e levaram alguns utensílios para a sala de aula.

 

Documentando a cidade

 

Para estudar a função comercial de Teresina (PI) no passado e no presente, o professor de geografia Luís Carlos Rodrigues desenvolveu um documentário em vídeo com o 9º ano de uma escola municipal da cidade. Antes, os estudantes pesquisaram o tema em diversas fontes, como textos, imagens e questionários.

 

Quem foi Carlos Chagas?

 

Com o objetivo de desmistificar a imagem do cientista e apresentar o trabalho de Carlos Chagas, a professora Flávia Lima orientou uma turma de 5º ano a refazer a pesquisa do brasileiro que descobriu o mal de Chagas. Assim, os alunos da escola federal de Goiânia (GO) onde ela leciona tiveram noções de raciocínio científico.

 

Novos contos de fadas

 

Em Itapoá (SC), Cátia Nicolachik fez com que seus alunos do 1º ano do ensino fundamental reescrevessem a história de Chapeuzinho Vermelho, com o objetivo de trabalhar novos gêneros e desenvolver a escrita e a leitura da turma. Ela levou à sala de aula um repertório que contava com os irmãos Grimm, Charles Perrault e Guimarães Rosa.

 

Textos informativos

 

A elaboração de um folheto sobre animais em extinção para ser distribuído na Secretaria Municipal do Meio Ambiente foi o mote do projeto de Adriana Oliveira, de Ibitiara (BA). Em uma sala multisseriada, com alunos entre 5 e 10 anos, ela tinha como objetivo alfabetizar os menores e desenvolver ainda mais as habilidades de leitura e escrita dos demais.

 

Cálculos memorizados

 

O 2º ano de uma escola municipal de Ariquemes (RO) ampliou, com a professora de matemática Lucimar de Lima, o repertório de cálculos que conhecia de memória. Ela ajudou a turma a sistematizar o repertório de operações e, em pouco tempo, as crianças estavam utilizando procedimentos de cálculo mental para resolver contas mais complexas.

 

Medindo a superfície

 

Para dar aos seus alunos de uma escola municipal de Joinville (SC) a noção de área, Célia Maria Batista mostrou, na prática, o que é um metro quadrado. A turma de 6º ano conseguiu aprender os conceitos por meio de atividades simples, como a construção de um quadrado de 1 metro de lado com jornais e revistas.

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