Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Prefeituras de SP temem ‘contaminação’ da greve de professores

Assunto foi discutido no fim do mês passado em reunião da Câmara Temática de Educação da Região Metropolitana de São Paulo

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A violência contra professores grevistas no Paraná e a paralisação na rede estadual de São Paulo não preocupam apenas os governadores Beto Richa e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Prefeituras das 39 cidades da Grande São Paulo, incluindo a capital, temem que esses movimentos insuflem as categorias municipais e resultem em greve, principalmente em um ano de crise financeira.

O assunto foi discutido no fim do mês passado em reunião da Câmara Temática de Educação da Região Metropolitana de São Paulo - o órgão reúne secretários municipais e também o titular da pasta no Estado. A greve na rede estadual é a que mais preocupa. “Prefeitos de outras cidades esperam que a greve no Estado acabe logo, porque é evidente que começa a contaminar as outras redes”, diz o secretário municipal de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, que preside a Câmara Temática.

A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, ressalta que a preocupação com greves municipais se espalha pelo País. “A arrecadação caiu e, ao contrário de Estados, estamos em uma fase final da gestão, de entrega de resultados”, diz ela, que é secretária em São Bernardo do Campo.

Antecipação. Depois de enfrentar duas greves longas nos dois primeiros anos de mandato, a gestão Fernando Haddad (PT) apresentou proposta de aumento antes de haver um movimento grevista. Nos anos anteriores, a Prefeitura havia apostado que o pagamento de incorporações seriam suficientes.

A capital ofereceu 10% de aumento em forma de abono, a serem pagos em outubro e incorporados em 2017. A incorporação de 5,5% neste mês, conquistados após greve de 2014, está garantida, bem como outras duas no próximo ano. “O ano é difícil, mas queremos garantir a valorização”, diz Chalita.

Para se aproximar da rede, o secretário tem tido agenda cheia, com inaugurações com o prefeito e eventos com professores no Teatro Municipal. Chalita passou a seu chefe de gabinete, no fim de março, uma série de atribuições para ganhar mais liberdade de percorrer a cidade.

Claudio Fonseca, presidente do Sinpeem, principal sindicato da categoria, diz que negocia a proposta, mas discorda dela. “A incorporação deve ser até 2016, não no outro mandato.”

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