Taba Benedicto/Estadão
 Prefeitura pretende permitir somente 20% dos alunos nesta primeira etapa de abertura das escolas Taba Benedicto/Estadão

Capital deve permitir volta em outubro com só 20% dos alunos nas escolas

Em entrevista ao Estadão, secretário municipal de Educação fala que ainda será publicada regra que indica quais atividades que poderão ser qualificadas como extracurriculares

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 17h41

O secretário municipal de Educação, Bruno Caetano, comemorou a reabertura das escolas em outubro para atividades como esportes, música e línguas e para acolher as crianças depois de seis meses sem aulas presenciais. “É um passo muito importante começarmos a abrir, ainda mais com um indicador de data já, de 3 de novembro”, disse em entrevista ao Estadão.

Ele nega que tenha havido divergências na Prefeitura sobre abrir ou não este ano. “Para fechar seguimos a saúde e para abrir, também”. Ele ainda disse que semana que vem sairão as regras sobre o que pode ser considerado atividade extracurricular. E que a Prefeitura pretende permitir somente 20% dos alunos nesta primeira etapa de abertura das escolas públicas e particulares e não 35%, como previa o protocolo do Estado. 

Vamos ter uma abertura, mas ainda não são aulas, por que essa opção?

É um passo importante começarmos a abrir, com abertura das universidades e com as atividades extra-curriculares. E principalmente com indicação forte de uma data para aulas, de 3 novembro. O fato de marcar uma data é importante, dentro da lógica daquilo que está sendo desenhado pelo governo do Estado e da Prefeitura. O município entrou agora na fase anterior a de aula, que é como outras cidades estão. É muito positivo para a educação. E foi uma solução que não leva a conflito porque é optativa, não vamos obrigar o professor a ir para a escola agora em outubro na rede municipal.

Muitos professores se declaram contra a volta. Pode ter greve?

Não, porque é facultativo. Só se for posicionamento político, tudo que a Prefeitura se comprometeu está cumprindo, estamos submetidos à Saúde. Nem todos os professores vão aderir à volta, mas tem muitos que já estão fazendo esforços, como indo visitar aluno em casa, marcando aula em praça, agora tem o conforto de usar a escola, de maneira cuidadosa, sem aglomeração. Acho que a adesão vai ser progressiva, vai começar tímida e vai crescendo

O que é uma atividade extracurricular na educação infantil (0 a 5 anos)?

Vamos identificar as atividades possíveis, o hall de atividades, para educação infantil pública e privada. Isso vai constar da regulamentação que sai semana que vem. Na nossa rede, vai envolver a família, a família vai para a escola com a criança nesse primeiro momento para discutir protocolos de saúde, estimulação da criança em casa, participar de uma conversa com o professor. 

E como fiscalizar? Já há escolas abrindo mesmo agora.

Já estamos fiscalizando e multando quem abriu antes da hora. Vamos continuar. E o Estado fiscaliza as escolas de ensino fundamental e médio. Não é qualquer coisa que vai ser chamada de extracurricular. São atividades já permitidas na cidade para outros estabelecimentos, como esportes, música, línguas, e que já eram oferecidas pelas escolas como extracurricular. Mas vamos regulamentar tudo. 

Mas uma professora polivalente ou uma professora de História vai poder ir à escola em outubro para fazer algo com seu aluno?

Sim, pode, desde que organizado com a escola para não ter aglomeração, para uma atividade de acolhimento, por exemplo.

Vão manter a abertura em outubro com 35% dos alunos, como previu o Estado?

Vamos diminuir para 20% nesse momento de atividades extracurriculares aqui na cidade, para escolas públicas e privadas. Mas nas universidades, deve ser 35%. Na rede municipal, consideramos que é uma quantidade menor de alunos para os ciclos, mais segura, em que as crianças progridem mais rápido e cada 14 dias colocamos mais 20% na escola. (As escolas particulares precisam seguir essa porcentagem, mas já tinham anunciado uma divisão diferente. Todos os alunos iriam todas as semanas, mas apenas uma vez)

O que pode acontecer para não começarem as aulas dia 3 de novembro?

A cidade está nas últimas semanas com expressiva redução de mortes, infecção e transmissão, se essa curva permanecer, estamos otimistas que vai ter aula em novembro. É um esforço social, de continuar usando máscara, distanciamento social, uma responsabilidade da sociedade também. Em outubro, com antecedência de uns 20 dias, já saberemos.

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Cidade de SP reabrirá faculdades em 7 de outubro; escola volta com atividade extracurricular

Medida vale para rede pública e particular; aulas regulares no ensino básico são previstas apenas para novembro. Escolas devem voltar com 20% da capacidade. Já as faculdades poderão receber 35% dos alunos

Renata Cafardo, Paloma Cotes e João Ker, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 12h42
Atualizado 17 de setembro de 2020 | 22h02

A Prefeitura de São Paulo permitiu a volta de atividades presenciais extracurriculares em escolas públicas e particulares a partir do dia 7 de outubro. A decisão, como antecipou o Estadão, foi anunciada em coletiva de imprensa do prefeito Bruno Covas (PSDB) nesta quinta-feira, 17. O retorno não é obrigatório para escolas nem para as famílias e valerá para todo o ensino básico (0 a 17 anos). O ensino superior foi liberado para voltar com aulas. Já nas escolas, o retorno está previsto para 3 de novembro. Colégios e faculdades da capital estão fechados desde março, como forma de frear a transmissão do novo coronavírus. 

A capital paulista já tinha autorização para a retomada de atividade de reforço e acolhimento nas escolas desde o dia 8 de setembro pelo governo do Estado, mas as prefeituras têm autonomia e Covas não havia concordado com a data. As escolas deverão retomar o funcionamento com 20% dos alunos, como informou ao Estadão o secretário municipal, já as faculdades poderão operar com até 35% da capacidade, segundo protocolo estabelecido pelo governo do Estado.

Agora, o prefeito autorizou que escolas possam fazer atividades extracurriculares em outubro, que são esportes, línguas, música, recreação e acolhimento. Para alunos da creche e pré-escola municipais, o acolhimento será feito em Centros para Crianças e Adolescentes (CCA), que também serão reabertos em outubro e recebem crianças vulneráveis. Segundo o secretário municipal de Educação, Bruno Caetano, ainda não está definido se haverá ou não férias em janeiro. 

Na rede municipal, segundo ele, na volta às aulas prevista para novembro, haverá prioridade para o fim dos ciclos, 3º ano do médio, 9º ano e 5º ano do fundamental.

"Estamos liberando o protocolo elaborado pelo governo do Estado de São Paulo. Até agora a cidade de São Paulo teve flexibilização sem retroceder, com redução em óbitos e internações. E é com essa mesma cautela que vamos continuar no setor educacional", disse.  Segundo Covas, a Prefeitura vai continuar com outros inquéritos sorológicos. "Estamos recebendo pressões de tudo quanto é lado. Mas temos certeza que estamos fazendo o que é recomendado pela área da saúde. Temos a vida como bem principal a ser protegido."

Como o Estadão antecipou, Covas não seguiu a decisão de prefeituras do ABC de deixar a reabertura das escolas apenas para 2021. Ele chegou a cogitar essa possibilidade, mas foi convencido pelos seus principais auxiliares da Educação e da Saúde de que não seria a melhor opção. O adiamento para o ano que vem tem sido muito criticado por especialistas, que enumeram os danos às crianças e adolescentes da falta da escola, principalmente os mais vulneráveis. O Brasil, segundo organismos internacionais, é um dos países com mais tempo de escolas fechadas do mundo por causa da pandemia de coronavírus. 

Além de temer a contaminação de professores e alunos, Covas também tem se preocupado com a opinião pública com relação à volta às aulas, já que é candidato à reeleição em novembro. Em pesquisas nos últimos meses, cerca de 70% da população dizia ser contra o retorno. Há ainda a batalha com os sindicatos de professores e diretores, que ameaçam greve caso as aulas voltem. Eles pediam que as escolas fossem abertas somente em 2021. 

Para passar para a próxima etapa, em que 70% dos alunos poderão ir à escola ao mesmo tempo, áreas que concentrem ao menos 60% da população do Estado precisam estar por 14 dias consecutivos na fase verde da flexibilização da quarentena. Atualmente, todas estão na fase amarela, uma antes da verde.

A Prefeitura apresentou também nesta quinta-feira o inquérito sorológico, que foi feito com alunos das redes pública municipal e estadual e também com estudantes de escolas particulares. A amostra contou com 6 mil alunos e a pesquisa foi feita entre 1 e 3 de setembro. Nesta fase, os alunos testados e que tinham anticorpos para covid-19 foi de 17,2% nos da rede estadual, de 18,4% na rede municipal e de 9,7% entre os alunos da rede particular. O estudo mostrou um cenário de alto número de assintomáticos entre os estudantes tanto da rede pública quanto privada. Os assintomáticos são 64,1% na rede estadual, 66,4% na rede municipal e de 70,3% em alunos das instituições particulares.

"É muito grande a preocupação da Prefeitura por conta dos estudos apresentados com a questão da volta às aulas. Estamos falando de 2,5 milhões de alunos, com proporção de assintomáticos maior que na comparação com os adultos. Há possibilidade de receio de segundo pico se voltar de forma integrada. Precisamos modular e ter precaução", disse Covas. Segundo o secretário de educação, todos os alunos da rede municipal passarão por uma avaliação de aprendizagem na volta às aulas.  "Somente após aplicação de avaliação é que poderemos mensurar o tamanho do desafio de recuperação de aprendizagens, disse Caetano.

As universidades e faculdades estão autorizadas para voltar a dar aulas presenciais a partir de 7 de outubro. "Ela (a decisão) tem muito mais a ver com o inquérito sorológico dos adultos", justificou, frisando que respeita a autonomia de cada universidade e que será necessário manter as medidas sanitárias de distanciamento. "Não tem mais sentido, com os dados que nós temos, continuar a proibir o ensino superior na cidade." Muitas instituições, no entanto, já anunciaram que vão permanecer online no segundo semestre.

A capital foi classificada na fase amarela da quarentena no final de junho e não retrocedeu desde então. Mas, com base no resultado de uma fase anterior do inquérito sorológico com alunos da rede municipal, que mostrou que, dos 16,1% que tinham anticorpos para a doença mais de 64% eram assintomáticos, Covas havia decidido não liberar as aulas por medo do risco de contágio. A segunda fase havia mostrado que, dos 18,3% alunos que apresentavam anticorpos, 69,5% eram assintomáticos. 

Covas anunciou também a abertura de 14 mil vagas para atendimento socioemocional das crianças, a partir de 7 de outubro, assim como a abertura dos 110 CCAs. De acordo com ele, a Secretaria Municipal de Saúde já registrou 5 mil crianças vítimas de violência doméstica desde o início da pandemia.

 

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Tire dúvidas sobre a volta às aulas na cidade de São Paulo

Saiba quando as escolas reabrem, quais são as atividades permitidas e se a decisão também vale para universidades

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 16h40
Atualizado 18 de setembro de 2020 | 18h13

A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quinta-feira, 17, o início da reabertura das escolas de educação básica para atividades extracurriculares e a liberação da retomada de aulas presenciais no ensino superior. As instituições estão fechadas desde março por causa da pandemia do novo coronavírus.

Tire suas principais dúvidas sobre a retomada abaixo:

Quando as escolas reabrem na cidade de São Paulo?

Elas poderão voltar a receber alunos a partir de 7 de outubro, mas exclusivamente para atividades extracurriculares. No entanto, escolas da rede estadual localizadas no município só poderão receber alunos do ensino fundamental a partir de 3 de novembro, conforme definiu o governo do Estado.

Quais são as atividades extracurriculares liberadas?

Atividades de acolhimento, recreação, esportes, idiomas e música.

Preciso enviar o meu filho para essas atividades extracurriculares?

Não, a adesão é totalmente opcional em todas as redes de ensino. Não é permitido, nesse período, realizar atividades de ensino regular ou de presença obrigatória dentro das instituições.

Todos os alunos vão voltar ao mesmo tempo?

Não. O secretário municipal de Educação, Bruno Caetano, disse que a Prefeitura pretende permitir somente 20% dos alunos nesta primeira etapa de abertura das escolas públicas e particulares e não 35%, como previa o protocolo do governo estadual. Essa porcentagem maior deve ocorrer apenas nas instituições de ensino superior.

Todas as escolas precisam reabrir?

Não, a decisão pela retomada é das instituições.

O que acontece se a escola reabrir antes da data planejada?

O secretário municipal de Educação afirmou que a Prefeitura já está fiscalizando e multando as instituições que abriram antes da hora. Cabe ao Estado fiscalizar as escolas de ensino fundamental e médio. 

Quando as aulas regulares retornam na educação básica?

A previsão é que a Prefeitura libere o reinício das aulas regulares para a partir de 3 de novembro.

Quando será a reabertura das universidades, faculdades e outras instituições de ensino superior?

Os cursos tecnólogos e de graduação tiveram a retomada de todas as atividades presenciais liberadas a partir de 7 de outubro.

As escolas de São Paulo terão férias em janeiro?

Segundo o secretário municipal da Educação, Bruno Caetano, isso ainda não está definido na rede municipal.

Quando termina o ano letivo de 2020?

De acordo com o governo do Estado de São Paulo, não há ainda uma definição sobre quando será o fim deste ano letivo.

Os inquéritos sorológicos vão continuar em São Paulo?

Sim, a Prefeitura seguirá com a realização de inquéritos sorológicos para aferir a presença de anticorpos da covid-19 em adultos, crianças e adolescentes da capital.

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