Marco Ambrosio / Estadão Conteúdo
Marco Ambrosio / Estadão Conteúdo

Prédios da ECA e da História e Geografia são ocupados na USP

Onde teve início há 9 dias, quando foi tomado o prédio de Letras, na FFLCH; USP diz que faculdades podem negociar demandas

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2016 | 03h00

SÃO PAULO -  Mais dois prédios da Universidade de São Paulo (USP) foram tomados por estudantes na madrugada desta quinta-feira, 19, para reivindicar a adoção de cotas sociais e o reforço de ações de permanência estudantil. Foram ocupados os prédios da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e o dos cursos de História e Geografia, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), na Cidade Universitária, zona oeste da capital.

A onda de ocupações na USP teve início há nove dias, quando os alunos tomaram o prédio do curso de Letras, também na FFLCH. “O movimento está expandindo e temos ainda 14 cursos que aderiram à greve. As ocupação de prédios públicos é um método muito forte de reivindicação e a tendência é que cresça ainda mais”, disse Gabriela Ferro, do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Além das demandas gerais do DCE, os alunos que ocupam os prédios também têm demandas específicas para os seus cursos. Em Letras, História e Geografia, os universitários reivindicam a contratação de professores, já que a USP suspendeu desde 2014 a admissão de novos funcionários em função da crise financeira. “Várias disciplinas fundamentais para esses cursos deixaram de existir por falta de professor. Os cortes estão afetando em muito a qualidade do ensino da USP”, disse Gabriela. Segundo ela, na Geografia também foram cortadas as verbas para trabalho de campo.

Os estudantes ainda apoiam a greve dos funcionários, que teve início no dia 12, contra os cortes de verba, “precarização” dos serviços da universidade - como o Hospital Universitário - e por reajuste de 12,3%. 

USP. A reitoria informou que as direções das faculdades têm autonomia para negociar a a saída dos alunos dos prédios. Sobre as reivindicações dos alunos, a reitoria informou que neste ano a universidade investiu R$ 209 milhões em Política de Apoio à Permanência e Formação Estudandil, um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. 

Segundo a reitoria, esses recursos são alocados em bolsas e auxílios para alimentação, aquisição de livros, transporte e moradia estudantil, além daqueles incluídos nas alíneas de assistência médica e odontológica, restaurantes universitários, estágios, educação física e esportes. 

Também informou que desde 2014 a USP tem discutido novas formas de ingresso. "Atualmente, a USP oferece bônus na nota do vestibular a alunos oriundos de escolas públicas, dentro do Programa de Inclusão Social (Inclusp) e, no ano passado foi aprovada a adesão da USP ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) [que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio]", informou em nota. 

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