Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Preço de material escolar deve ter alta de 8%; compra coletiva é saída para economizar

Alta é estimada pela Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) e está acima da inflação oficial, que deve ficar em torno de 4%; pais se organizam em redes sociais e buscam descontos

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 20h09
Atualizado 08 de janeiro de 2020 | 10h40

SÃO PAULO - O ano letivo ainda nem começou, mas o gasto com a educação dos filhos já motiva dor de cabeça para os pais. Na busca pelo caderno ou mochila mais em conta, as famílias recorrem a negociações coletivas, compra ou troca de itens usados e grupos nas redes sociais. A Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) estima alta de 8% nas papelarias - acima da inflação oficial, que deve ficar em torno de 4%. 

A engenheira Thaís Aparecida Franchi Costa, de 37 anos, mãe da Sarah, de 3, participa de um grupo de mães de alunos da escola da sua filha no WhatsApp. “Compartilhamos orçamentos para verificar onde é mais vantajoso comprar. Uma papelaria propôs que, se fecharmos a compra para um grupo com mais de cinco mães, teremos 13% de desconto na parte de papelaria e material de uso coletivo, como giz de cera, tintas e cola”, contou.

Segundo Thaís, a estratégia da compra coletiva está perto de funcionar. “Já há onze mães interessadas”, diz a engenheira, que calcula gasto de R$ 350, mesmo com o desconto. A escola, de acordo com ela, ficou responsável por negociar preços melhores para os livros didáticos com as editoras. 

As livrarias também procuram facilitar as formas de pagamento e promovem ações para dar desconto - na compra de muitas unidades, por exemplo.

A Abfiae orienta os consumidores a pesquisarem em vários estabelecimentos, pois as variações são significativas principalmente com relação a estoques antigos e liquidações. Outra recomendação é optar por produtos seguros, que sejam certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Além disso, segundo a Lei 12.886, de 2013, válida em todo o País, na lista os colégios não podem exigir a compra de qualquer item escolar de uso coletivo, como materiais de escritório, de higiene ou limpeza, por exemplo. Também não podem cobrar a compra de produtos de marcas específicas.

A administradora Ana Cláudia Rocha, de 39 anos, mãe do Daniel, de 9, preferiu comprar com antecedência. “Pesa muito no início do ano, mas não tem para onde correr. Costumo fazer pesquisa de preços para ver se a diferença é muita grande entre as lojas”, disse ela, que foi às compras nesta terça-feira, 7. “Para não deixar para a última hora, já viemos. O preço aumentou bastante em relação ao ano passado.”

Para Ana, os materiais didáticos de inglês e espanhol são os que mais pesam. Ela participa de um grupo de mães no Whatsapp e juntas conseguiram economizar. "Encontramos uma livraria que ofereceu um ótimo desconto para a gente. Eu iria gastar R$ 1 mil. Na livraria conseguimos desconto de R$ 300. Com esse valor estou comprando o material restante". 

Em dez anos, gasto no ensino é 56% maior

A mais recente Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já apontava que as despesas das famílias com educação subiram. Entre os biênios 2007-2008 e 2017-2018, o peso dos gastos com material, matrícula e mensalidades no orçamento doméstico cresceu 56%.

“O primeiro passo é saber exatamente quais são os gastos mensais e quanto poderá dispor para a aquisição do material escolar. É fundamental ir às compras com antecedência para não precisar ser obrigado a pagar mais caro de última hora”, orienta Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin). 

Para a especialista em educação financeira e sócia da consultoria Ella’s Investimentos, Rebeca Nevares, é preciso diluir os gastos com material ao longo do ano, fazendo uma pequena reserva mensal. “O ideal é pesquisar em pelo menos três lojas de bairros diferentes. Dá trabalho, mas a economia pode chegar a 50%”, alerta. 

Ainda de acordo com Rebeca, os gastos com educação entre as famílias brasileiras das classes A e C ficam entre 30% e 45% do orçamento familiar. /COLABOROU DOUGLAS GRAVAS

Lista não deve ter item coletivo

1. Sem desperdício 

Antes de ir às compras, verifique quais produtos da lista já tem em casa e se estão em condição de uso, evitando compras desnecessárias. 

2. Rodízio

Promover a troca entre alunos também garante economia. Livros do filho mais velho podem passar ao mais novo.

3. Uso coletivo

Na lista de material escolar, os colégios não podem exigir a aquisição de qualquer material escolar de uso coletivo, como materiais de escritório, de higiene ou limpeza.

4. Na lupa

Antes de ir às compras, faça pesquisas em estabelecimentos físicos e online. Procure participar também de feiras de troca de materiais escolares e de livros organizadas pelas próprias escolas.

5. Todos juntos

Alguns estabelecimentos oferecem desconto para compras em grande quantidade. Então, pode ser interessante fazer compras coletivas. Participar de grupos de pais nas redes sociais ajuda a organizar as demandas.

6. Forma de pagamento

Vale a pena verificar se o estabelecimento pratica preços diferentes de acordo com a forma de pagamento (dinheiro, cheque, cartão de débito ou crédito). 

7. Diálogo

 Se for levar os filhos, converse com eles antes de sair às compras e explique quanto poderão gastar. Caso contrário, será difícil não ceder aos desejos deles e gastar mais do que o planejado.

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