Posse da UNE vira ato pela universidade gratuita

A posse da nova diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizada na Câmara nesta quarta-feira, foi marcada de críticas ao documento do Banco Mundial (Bird) no qual estão contidas sugestões ao governo brasileiro, como o aumento de 11% para 14% da contribuição previdenciária dos servidores públicos, e questionamentos sobre o papel das universidades públicas gratuitas.Ex-diretor da UNE, o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), fez o mais duro discurso contra as recomendações do Bird, concentrando suas críticas à avaliação do banco sobre as universidades públicas. "Se a condição (para a liberação de empréstimos do Bird) for rediscutir o caráter público das universidades, o governo brasileiro não vai aceitar esse dinheiro", afirmou o petista.No documento, intitulado "Políticas para um Brasil Justo, Sustentável e Competitivo", o Bird diz que estão previstos US$ 8 bilhões de empréstimos ao Brasil para os próximos quatro anos, estabelecendo algumas diretrizes para a liberação dos recursos.Poucos privilegiadosEm um dos trechos do texto, o banco propõe que seja reavaliado o modelo das universidades públicas e chega a dizer que os "gastos com o ensino superior beneficiam apenas poucos privilegiados".O líder do PCdoB na Câmara, Inácio Arruda (CE), encampou as críticas de seu colega da base. "O Banco Mundial disse: está aqui o dinheiro, mas vocês vão ter de fazer isso, isso e isso. Não é fácil recusar, porque precisamos do dinheiro. Mas teremos de progredir para que não nos curvemos", afirmou.Aposentadoria dos professoresNa solenidade, assumiu o novo presidente da UNE, o estudante Gustavo Petta, eleito no 48º congresso da entidade, realizado em Goiânia, no lugar de Felipe Maia.Em seu discurso, Petta afirmou que a União Nacional dos Estudantes terá uma postura de independência em relação ao governo, criticando, quando for julgado necessário, ações e propostas do Executivo. Entre os questionamentos, está a proposta, contida na reforma da Previdência, de mexer na aposentadoria dos professores.Em carta aos estudantes divulgada no site da UNE, Petta informou que devem ser promovidas manifestações por mudanças na reforma da Previdência.BonésEm sua fala, Gustavo Petta também aproveitou para elogiar o Movimento dos Sem-Terra (MST) e fez uma brincadeira com os políticos presentes, chegando a constranger o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).Em alusão ao boné do MST usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, Petta entregou bonés com a logomarca da entidade a políticos, dirigentes da UNE e a Cunha, que hesitou em pôr o seu na cabeça. Diante do apelo da platéia, que, aos gritos, pedia para que o petista usasse o boné, o presidente da Câmara não resistiu.

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