Pós-graduação não terá cotas como política, diz secretária do MEC

Programa para incrementar acesso de negros e índios vai oferece curso preparatório e financiamento

Entrevista com

Macaé dos Santos

Guilherme Soares Dias, Estadão.edu

25 Novembro 2014 | 03h00

Lançado há um ano, o programa Abdias Nascimento - que pretende auxiliar negros e indígenas a ingressar no mestrado e no doutorado, além de conceder bolsas - ainda não saiu do papel. A secretária de Diversidade e Inclusão do MEC, Macaé dos Santos, diz que o programa é prioritário dentro do governo e que cotas para pós-graduação não estão em discussão. 

Por que o programa Abdias Nascimento ainda não deslanchou? 

Este ano foi de construção de parcerias. O programa pretende ajudar negros e indígenas a ingressar em universidades brasileiras, oferecendo cursos de preparação, como redação acadêmica e inglês instrumental. Vamos também financiar alunos. Temos 49 instituições, de 14 países, interessadas na parceria.

Quais são os planos para 2015? 

Vamos começar a definir qual universidade desenvolverá cada linha de pesquisa, que receberá R$ 2,8 milhões e atenderá até 14 estudantes de mestrado-sanduíche ou doutorado. Os projetos poderão ser realizados em até três anos, e a intenção é chegar a 2018 com 50 projetos. 

Há discussão para implementar cotas na pós? 

Há debate na sociedade civil, mas nosso esforço é para implementação na graduação. Na pós, o pilar de acesso a negros e indígenas passa pelas cotas na graduação, o que garantirá que mais negros cheguem ao mestrado. 

O programa Abdias do Nascimento ainda não deslanchou. O que aconteceu? 

O programa pretende realizar fortalecimento acadêmico (preparação de redação acadêmica, aulas de inglês instrumental, etc) para negros, indígenas e pessoas, com deficiência para ingresso em universidades brasileiras, além de financiamento de cooperação de estudantes no Brasil e no exterior. Esse ano foi de construir essas parcerias. As universidades terão financiamento para ofertas de cursos voltado para esse público. Curso de redação de trabalho acadêmico, metodologia científica, inglês instrumental. Começou com iniciativa de responsabilidade social da Fundação Ford e agora se transforma em política publica e  esperamos que seja desenvolvida de forma mais efetiva.

Que áreas serão incentivadas? E quantas universidades serão beneficiadas?

A ideia é desenvolver grupos de pesquisa estrangeiro e brasileiro nas áreas consideradas prioritárias, como desenvolvimento tecnologia assistida, educação intercultural, políticas afirmativas, áreas que dialogam com políticas no âmbito da educação. As universidades já apresentaram candidaturas. Ao todo, são 49 concorrentes para parcerias com 14 países e estamos na fase de avaliação dos projetos, dentro do cronograma. São áreas novas que não temos tradição de pesquisa no país, como tecnologia assistida, educação intercultural e políticas afirmativas.

Quais são os planos para 2015?

É quando vamos começar efetivamente projetos que serão aprovados e terão dois anos, no máximo três para terminar. Cada projeto de pesquisa terá financiamento  de R$ 2,8 milhões e pode dar bolsas para até 14 estudantes para mestrado sanduíche e doutorado, além dos professores e coordenadores. Nossa intenção é chegar até 2018 com mais de 50 projetos financiados.

Há discussão para implantação de cotas na pós-graduação?

Esse é um debate na sociedade civil, mas nosso esforço é para implementação na graduação. O pilar de acesso a negros e indígenas na pós, passa por aumentar incentivo das cotas na graduação. Todas as universidades estão cumprindo a lei e isso vai ajudar a garantir que mais pessoas negras cheguem ao mestrado. Estamos trabalhando com autonomia das instituições de ensino superior e esperamos que projetos como Abdias do Nascimento criem campo fértil para que esses alunos cheguem ao mestrado e doutorado.

Há bolsas especiais sendo preparadas para esses estudantes?

Todos os estudantes de mestrado e doutorado podem concorrer a bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Essa é uma política recorrente e varia de acordo com o perfil da instituição e prerrogativas internas.


 

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