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Pós-graduação e MBA podem ser alternativa para começo de nova carreira

Amante dos animais e dos esportes, a paulistana Paula Reina, de 27 anos, não sabia se prestava vestibular para Educação Física ou Medicina Veterinária. Escolheu a segunda opção, formou-se em 2008 e passou um ano atuando em uma clínica. “Daí percebi que não era ali que eu queria estar”, lembra.

Ocimara Balmant, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2013 | 13h45

Em vez de começar uma outra graduação – que demoraria quatro anos –, ela decidiu encurtar o caminho e apostar em um curso mais rápido e focado. Matriculou-se no MBA em Marketing Esportivo da Escola Superior de Publicidade e Propaganda (ESPM). “Tive de me acostumar com alguns termos e com o volume de texto, mas logo estava adaptada e pronta para a mudança.”

Apesar da nomenclatura, a especialização não serve apenas para quem já atua em uma determinada área e quer aprofundar seus conhecimentos no tema. Pode ser também uma opção para aqueles que buscam novos ares. “Talvez a pós não seja o único caminho, mas é um dos mais eficazes”, diz Ana Luisa Vieira Pliopas, professora do Master in Business and Management (MBM) e coordenadora de colocação profissional da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV).

No entanto, não há mágica. A decisão de fazer uma pós-graduação – especialização ou MBA – como estratégia para mudar de área precisa levar em conta alguns pontos importantes, como o mercado de trabalho, a atuação profissional (para não ter de fazer uma outra troca) e o suporte financeiro necessário para custear a transição. É fundamental ter em mente os ônus da escolha.

Mudanças no início da carreira costumam ser mais fáceis. Paula, que trocou Veterinária por Gestão de Esportes, atua no departamento de marketing de um clube esportivo. Conseguiu o emprego antes mesmo de terminar a pós. “Estou mais feliz e com salário melhor do que eu tinha na clínica”, diz.

Uma ascensão financeira que seria mais complicada caso ela já tivesse uma trajetória profissional consolidada. “Se uma bióloga com anos de carreira decide ser psicanalista, vai precisar começar de baixo. Então tem de ter um conforto financeiro”, explica Irene Azevedo, professora de Liderança e Gestão de Carreiras na BBS Business School.

Complemento

Mudar de área com anos de experiência e sem perda financeira é viável caso a opção seja por uma transferência dentro da própria organização. “Nesse caso, acaba sendo uma ampliação do conhecimento que gera maior flexibilidade”, diz Silvio Laban, coordenador dos programas de MBA do Insper.

 

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Entrevista

Marcelo Saraceni - presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pós-Graduação

Existe um momento ideal para fazer um MBA?

As pessoas estão entrando cada vez mais cedo e acho que o aproveitamento pode ser pequeno. A idade é relativa, mas é importante que se tenha uma maturidade profissional e acadêmica. É mais proveitoso quando há uma perspectiva na carreira, em que o profissional vislumbre o que deseja em função do seu planejamento.

Em que medida um curso como esse pode mudar a carreira?

Sempre digo para meus alunos que o MBA vai fornecer, no máximo, 40% do que você precisa, por maior que seja a carga horária. O resto é esforço individual. Vai do aluno buscar a bibliografia, a aplicação prática daqueles conceitos e estudar fora das aulas.

Qual é a diferença entre os tipos de cursos?

A denominação do MBA acabou se popularizando para nomear cursos de gestão e já perdeu o sentido original europeu e norte-americano, que é o de um mestrado em gestão. Hoje temos o chamado MBA Executivo, mais pesado e sofisticado, que lembra o original. E também há alguns mais específicos, em recursos humanos ou marketing, que tentam atender às necessidades de um profissional mais completo, além das pós em outras áreas, como saúde.

Como avaliar a qualidade dos cursos, uma vez que não há parâmetros oficiais, como nos mestrados e doutorados?

O aluno deve procurar conhecer a instituição, quem são os formados, empresas que costumam contratá-los e se há parcerias internacionais. Existem rankings internacionais de MBA que, dependendo do plano de carreira e da possibilidade financeira, apontam opções, em geral fora do País, porque são poucas as brasileiras que aparecem. O principal é o foco da instituição./ PAULO SALDAÑA

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