Pós em Egenharia Biomédica perde professores

O primeiro programa de pós-graduação em Engenharia Biomédica do País e único avaliado com nota de excelência pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) corre o risco de fechar as portas. Quatro dos 13 professores do curso, ministrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estão em vias de preencher os requisitos necessários para a aposentadoria. Se entrarem com o pedido, vai ser inviável manter as aulas no mestrado e no doutorado, assistidas por mais de 200 estudantes."Dois professores já estão em condições de entrar com o pedido de aposentadoria e, até o meio do ano, isso vai acontecer com mais dois outros. E nós não temos vagas para reposição do quadro", alerta Marcio Nogueira de Souza, responsável pelo programa, um dos 12 da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, centro de referência no País, onde estudam mais de 3 mil alunos.Criado em 1970, o programa da Coppe formou mais de 300 mestres e doutores. Tanto o curso de mestrado, credenciado em 1981, como o de doutorado, em 1995, têm conceito A pela Capes, com nota 6 (em uma escala de 1 a 7).Perfil específicoEmbora Souza reconheça que a falta de concurso público não é um problema exclusivo do programa que coordena e nem da federal do Rio, ressalta que na Engenharia Biomédica um desfalque no corpo docente é ainda mais complicado de resolver. "Só existe um curso de graduação na área, aberto recentemente em São Paulo, e nós precisamos de professores com um perfil muito específico", justificou. "No caso dos titulares, têm que ter cerca 15 anos de experiência. Isso é muito difícil." Já houve concurso em que ninguém foi aprovado.Ainda sobre a reposição do quadro de professores, Souza lembra que, no ano passado, foram abertas mais de 100 vagas para a UFRJ, a maior federal do País, mas o número foi muito pequeno para a necessidade da instituição. "Quando dividimos o número pela quantidade de cursos, a parcela para a Coppe foi irrisória: apenas três vagas", lembrou o pesquisador.Souza avalia que a injeção de recursos na infra-estrutura básica e a realização de um concurso podem resolver o problema do programa a curto prazo, mas a solução depende de algo ainda muito maior: a recuperação da atividade econômica do País. "Estamos formando engenheiros, mas o mercado não está absorvendo. Antigamente, o profissional da área não enfrentava esse tipo de problema. Havia uma correlação entre o número de formados e as vagas no mercado de trabalho. Essa situação provoca um desinteresse."

Agencia Estado,

10 de março de 2004 | 11h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.