Arquivo Pessoal
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Português com humor, do fundamental à pós

Descontração e bagagem do mestrado e doutorado ajudam ex-seminarista a prender a atenção de alunos

Carlos Lordelo, Estadão.edu

28 Março 2011 | 22h42

Ele queria ser pastor, mas mudou de ideia no último ano do curso de Teologia e largou o seminário. Comunicativo e com jeito para as  palavras, Everaldo Nogueira ainda desejava falar para muitos. Foi estudar Letras e obteve licenciatura na Universidade Guarulhos. Hoje, aos 42 anos, orienta  gente de todas as faixas etárias, mas não dentro da igreja: é professor do ensino fundamental à pós-graduação.

 

O professor de língua portuguesa dá aulas no 9.º ano do fundamental do Colégio Marista Arquidiocesano, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e na graduação e pós da PUC-SP. Seus alunos dizem que é didático e bem-humorado em sala de aula, características que ele afirma ter aprimorado depois de estudar, na pós, os sermões do padre Antônio Vieira, do século 17, e textos cômicos publicados no século 19.

 

“Também gosto de dialogar com os alunos, mais ou menos como fazia o filósofo grego Sócrates. Conduzo o pensamento deles a partir das perguntas e comentários que eles fazem”, diz o professor.

 

Mineiro de Janaúba, cidade a 550 quilômetros de Belo Horizonte, Everaldo mudou-se para São Paulo aos 7 anos. Esforçado nos estudos, saltou dos bancos das escolas públicas do bairro da Mooca para o mestrado e doutorado em linguística na PUC-SP. O pós-doutorado, na Universidade Federal da Bahia, está sendo levado com dificuldade, por causa da distância e da falta de tempo. “É difícil conciliar com as atividades que tenho aqui”, afirma o professor, que escreve seu primeiro livro didático.

 

“A dinâmica da minha aula é a mesma em todos os níveis, o que muda é o objetivo. No fundamental, estou preocupado em sedimentar o conhecimento. No médio, preparar o aluno para entrar bem na faculdade. Na universidade, quero que seja um bom profissional na área que escolheu. Na pós, busco melhorar o desempenho desse profissional”, diz.

 

Aulas puxadas. Com 18 anos de profissão, Everaldo diz que o nível dos alunos que chegam à universidade não é mais o mesmo. “Eles  têm mais dificuldade em se adaptar a esse novo mundo. O problema é da escola, vem da base.”

 

Para preparar seus “meninos” do ensino fundamental para os desafios futuros – entre eles o vestibular –, o professor “puxa muito”. “Muitos ainda não perceberam que a escola é um lugar de estudo, de reflexão. Mas eu sei que cada pessoa atinge a maturidade no seu ritmo.”

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