Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Por que não passei?

Jovens com experiência em painéis e dinâmicas de grupo contam suas histórias e por que continuam tentando uma vaga de trainee - ou não

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

20 Agosto 2011 | 16h50

Foi depois de uma dinâmica de grupo que Indiara Guasti, de 23 anos, ouviu pela primeira vez na vida que era tímida. Em geral extrovertida e amigável, inclusive com este repórter, ela se surpreendeu diante de uma candidata a trainee que, por falar demais, acabou sabotando todo o grupo. “Tínhamos 25 minutos para preparar uma estratégia para o lançamento de um produto e definir como seria o seu comercial na TV”, diz. “Na hora da apresentação, a menina falou tanto que não sobrou tempo para o comercial.” Nenhum dos membros do grupo seguiu adiante na seleção.

Ao receber o feedback dos avaliadores – prática cada vez mais comum nas seleções – Indiara ouviu que deveria ter erguido a voz para liderar o grupo. Mesmo que isso significasse cortar a palavra da outra candidata. Para Úrsula Angeli, gerente-geral de Recursos Humanos da Whirlpool América Latina, o candidato não pode permitir que alguém que prejudica o grupo sobressaia. Apenas liderar não ajuda. “Temos de ver a qualidade do resultado dessa liderança”, afirma Úrsula.

O publicitário Guilherme Castanho, de 28 anos, tentou várias seleções de trainee. Chegou à etapa presencial de Votorantim, Ambev, Lopes e C&A. “Não foi experiência perdida. Ao contrário, é importante porque você recebe feedback e aprende sobre si mesmo. Tem que meter a cara.”

Guilherme aprendeu que é ótimo para conversar com as pessoas e hoje trabalha em uma agência de publicidade no relacionamento com clientes e veículos de comunicação. “Descobri nos processos que tenho um perfil mais analítico.”

Para o engenheiro mecânico Pedro Henrique Dias, de 23 anos, a seleção depende muito de quem aplica: um consultor jovem e com metodologia interessante deixa os candidatos mais à vontade. Pedro chegou à dinâmica de grupo da Gerdau e à entrevista final na seleção da Usiminas. “Fiquei ansioso. Aí o que você fala sai de uma forma que não convence.” Dos processos de que participou, tirou uma lição. “A pior coisa é o candidato tentar ser quem ele não é. Soa forçado, e afinal você está sendo avaliado por uma equipe de profissionais.”

Mais conteúdo sobre:
Trainee

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.