Polícia Militar detém 25 alunos da Unifesp em Guarulhos

PM diz que estudantes estavam depredando câmpus; universitários negam e acusam 'violência'

Carlos Lordelo, do Estadão.edu, e Pedro da Rocha, do estadão.com.br,

14 Junho 2012 | 22h04

* Atualizada às 17h de 15/6

 

A Polícia Militar deteve 25 alunos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Guarulhos, na noite desta quinta-feira, 14, após uma assembleia estudantil. O grupo foi conduzido até a Superintendência da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste da capital, para prestar depoimento. Durante a ação policial, uma estudante detida sofreu um ferimento na perna e foi levada ao pronto-socorro.

 

De acordo com um líder do movimento, cerca de 40 estudantes passaram a madrugada na frente da PF em apoio aos detidos. Eles pretendem permanecer no local até que os estudantes deixem a superintendência. Advogados do movimento acompanham o caso.

 

A PM diz que foi acionada pela diretoria acadêmica porque os estudantes estavam depredando e pichando o câmpus. Alunos ouvidos pela reportagem negam e dizem que o quebra-quebra só começou após os policiais prenderem uma colega. Houve confronto e a polícia utilizou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

 

"Foi uma ação extremamente violenta", afirma uma estudante, que preferiu não se identificar. "Os presos foram revistados na parte de trás do prédio, um lugar escuro. E os policiais esconderam a identificação."

 

A estudante ferida deu entrada na Policlínica Alvorada, em Guarulhos. Segundo uma funcionária do estabelecimento, a garota disse que uma bomba estourou perto dela. A aluna não deixou ninguém tocar na lesão, porque queria fazer exame de corpo de delito. Ela foi liberada e saiu acompanhada de policiais para depor à PF.

 

De acordo com um universitário, após a assembleia os estudantes se concentraram em frente à sala do diretor acadêmico, Marcos Cezar de Freitas, para fazer um "ato pacífico". Freitas teria se sentido acuado e chamou os policiais. "A PM já chegou nos acuando. Quando prenderam uma menina, dando uma chave de braço, o pessoal se revoltou e aconteceu o confronto e o quebra-quebra."

 

Os alunos de Guarulhos estão paralisados há 85 dias. No início de maio um grupo ocupou a diretoria acadêmica, mas saiu do prédio quando soube da preparação da polícia para fazer cumprir ordem judicial de reintegração de posse. Houve nova invasão no último dia 6 e os estudantes foram retirados por PMs, agentes e delegados da PF.

 

Os universitários reivindicam a saída do diretor acadêmico, a construção de moradias estudantis e de um novo prédio para a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Também exigem a retirada de processos abertos contra 48 estudantes que invadiram a diretoria acadêmica em 2008, durante outra paralisação.

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